Energia elétrica ainda deve pressionar um pouco a inflação, aponta pesquisador do IBRE

Para André Braz, a taxa de inflação acumulada em 12 meses deve ficar em patamares próximos da meta de 4,5%

Arquivo: SE

O IPCA-15, de março, divulgado nesta quarta (22) pelo IBGE, ficou em 0,15%. O resultado está abaixo dos 0,54% do mês anterior e é o menor registrado para março, desde 2009.

“Não surpreendeu. A queda seria maior se não houvesse ocorrido mudança da bandeira tarifária (de verde para amarela) e se o reajuste das escolas tivesse sido plenamente captado em fevereiro”, destacou André Braz, pesquisador do FGV/IBRE, ao analisar os números.

De acordo com os dados, o grupo Habitação teve alta de 0,64% em relação a fevereiro, puxada pelo reajuste de 2,54% da energia elétrica: um impacto no índice de 0,08 ponto percentual (p.p). Educação apresentou elevação de 0,87%. “O reajuste das mensalidades escolares em Fortaleza também influenciou o resultado de março”, explicou.

Para o economista, a energia deve contribuir para aceleração do IPCA, assim como o grupo Alimentação e Bebidas, que vinha registrando queda nas últimas divulgações. “Alguns alimentos que ainda exibem queda em seus preços devem recuar mais lentamente, como o feijão. Além disso, leite, ovos e alguns alimentos in natura também devem registrar aumento em suas taxas de variação”.

Já o preço da carne pode apresentar redução, pelo impactado da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal. “A operação fez vários países importadores cancelarem seus pedidos. Com a redução das exportações haverá mais carne disponível no mercado brasileiro e o preço poderá recuar mais. Ademais, vale lembrar que estamos em recessão com taxa de desemprego em 12%. A carne pesa no orçamento familiar e seu consumo já estava em declínio devido as restrições orçamentárias. Com a maior oferta, os preços devem recuar mais”.

Segundo o economista, apesar do índice apresentar aceleração em suas próximas edições, é provável que as taxas de 2017 fiquem abaixo das apuradas em igual período de 2016. Para André Braz, a taxa de inflação acumulada em 12 meses deve ficar em patamares próximos da meta de 4,5%.

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