EPE: Consumo de eletricidade recua 1,5% em março

Alguns setores industriais têm aproveitado o câmbio favorável para direcionar parte de sua produção para o mercado externo

Fotográfo José Lins de Furnas

O Consumo de energia elétrica na rede atingiu 39.162 GWh em março de 2016, resultando em taxa de -1,5% sobre mesmo mês do ano anterior e de retração de 4,2% no primeiro trimestre, ante igual período de 2015.Os dados são da Resenha Mensal de Energia Elétrica, elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, divulgada nesta quinta-feira.

O consumo residencial apresentou avanço de 1,7% em março devido às temperaturas elevadas do mês que puxaram o consumo de eletricidade. Entretanto, a classe fechou o primeiro trimestre com decréscimo de 2,5%.

A classe comercial segue com declínio de 1,1% em março e de 3,2% no trimestre, ainda refletindo o cenário econômico adverso de queda na renda real, aumento do desemprego e de reajustes na condições de crédito.

Em março de 2016, o consumo de energia elétrica da indústria totalizou 13.746 GWh, representando uma retração de 6,2% frente ao mesmo mês de 2015.

O comportamento dos indicadores de confiança da indústria não tem apresentado sinais claros de recuperação. Segundo análise da CNI em março, a demanda interna insuficiente, a dificuldade de acesso ao crédito e a elevada carga tributária vêm impactando sobremaneira a situação financeira das empresas, obrigadas a liquidar os estoques que se acumularam ao longo do ano passado e a readequar a produção ao patamar das vendas atuais. O nível de utilização da capacidade instalada ainda está baixo; o setor de máquinas e equipamentos, por exemplo, enfrenta ociosidade de cerca de 45%. Ademais, ajustes na quantidade de mão-de-obra continuam sendo implementados, o que explica o aumento do desemprego formal na indústria de transformação que, de acordo com o CAGED, reduziu 24.856 postos de trabalho em março.

Alguns setores industriais têm aproveitado o câmbio favorável para direcionar parte de sua produção para o mercado externo: é o caso do ramo automotivo, cujas exportações cresceram em torno de 20% em março, conforme a ANFAVEA. Apesar disso, tanto o consumo de energia (-7,0%) quanto a produção (-23,7%) do segmento ainda continuaram debilitados em março.

Desempenho da demanda de energia dos 11 principais ramos da indústria em março/2016.

O setor de fabricação de papel e celulose, sétimo maior consumidor de eletricidade na indústria, exibiu avanço de 5,0% em março. O setor vem sendo impulsionado pelas exportações, conforme mostram os dados da IBA (Indústria Brasileira de Árvores) relativos à venda para o exterior de celulose (+48,0%) e papel (+15,1%).
São Paulo (+11,7%) registou o maior avanço no consumo de eletricidade do setor em março, em função do acréscimo de produção de embalagens e de papéis para escrita, mas também devido ao aumento do consumo de energia oriundo da rede (SIN), tendo em vista menor autoprodução de eletricidade em algumas unidades industriais.

As estatísticas de consumo do segmento alimentício sinalizaram avanço (+3,2%) em março, principalmente na região Sul (+6,4%).

Entre os crescimentos mais relevantes, estão o do Paraná (+13,7%), sustentado pelo abate de aves e suínos e pela fabricação de ração para animais. O recuo na fabricação de produtos de minerais não-metálicos de 10,3% em março é resultado da conjuntura adversa da construção civil, que envolve retração da demanda interna, ajustes nas condições de crédito, declínio de lançamentos e vendas de imóveis residenciais e comerciais, além de uma diminuição no ritmo de atividade no setor de infraestrutura.

Minas Gerais apresentou a maior queda no mês (-18,2%) devido ao decréscimo, principalmente, da produção de cimento.

À exceção da região Norte (+1,0%), o resultado regional foi negativo nas demais regiões: Sudeste (‑7,1%), Nordeste (-12,5%), Sul (‑2,9%) e Centro-Oeste (‑0,9%).

O estado do Pará (+3,7%) foi o que mais contribuiu para o crescimento do consumo de energia elétrica da região Norte, em função dos avanços da metalurgia de metais nãoferrosos e da extração de minério de ferro para exportação.

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