Alstom divulga resultado e não propõe dividendos

Resultado operacional em alta de 20% e forte geração de fluxo de caixa no segundo semestre

A Alstom,  uma da gigantes do setor de infraestrutura divulgou balanço financeiro nesta quarta-feira (6) referente ao exercício de 1ºde abril de 2014 a 31 de março de 2015.

No contexto do projeto entre a Alstom e a General Electric, e em conformidade com a norma IFRS 5, as atividades dos setores Thermal Power, Renewable Power e Grid, assim como alguns custos corporativos, foram classificadas como Operações Descontinuadas. Portanto, não estão incluídas entre pedidos, vendas, receitas derivadas das operações, e estão inscritas na rubrica “resultado líquido – operações descontinuadas”.

De 1° de abril de 2014 a 31 de março de 2015, a Alstom registrou um recorde de € 10 bilhões de pedidos, em alta de mais de 60% com relação ao ano anterior. A relação de pedidos sobre vendas, de 1.6, foi pelo quinto ano consecutivo acima de 1, tendo sido favorecida mais particularmente por um contrato de € 4 bilhões na África do Sul. As vendas, de € 6,2 bilhões, registraram um aumento de 8% (7% em base comparável) com relação ao ano passado e o resultado operacional atingiu € 318 milhões, um aumento de 19%. A margem operacional (deduzidos os custos corporativos) cresceu 50 bps para 5,2%, graças a um aumento das vendas, uma boa execução dos projetos e a implementação do plano de performance d2e (dedicated to excellence), apesar dos custos de início de operação de novas plataformas.

Não será proposta nenhuma distribuição de dividendos na próxima Assembleia Geral Ordinária.

O resultado líquido do Grupo (continuado e descontinuado), de € (719) milhões, foi afetado por uma série de itens excepcionais, em particular o acordo com o Department of Justice dos Estados Unidos e algumas baixas de ativos na Rússia. Como previsto, o fluxo de caixa derivado das operações continuadas (antes dos impostos e pagamentos financeiros) foi positivo para o ano inteiro e o fluxo de caixa do Grupo foi fortemente positivo na segunda metade do ano, compensando boa parte do fluxo de saída de caixa do primeiro semestre, com um total para o ano de € (429) milhões.

A carteira de pedidos atingiu € 28 bilhões, o correspondente a 55 meses de vendas.

Nível recorde de pedidos

A Alstom registrou um recorde de € 10 bilhões em pedidos, em 2014/15, uma alta de mais de 60% comparado ao ano passado. O Grupo registrou vários pedidos importantes, particularmente um grande contrato ferroviário na África do Sul, sistemas completos de VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) no Catar e na Austrália, trens para o metrô de Paris na França, e um sistema completo de metrô no México. Houve também pedidos importantes em Serviços e Sinalização.

Crescimento robusto das vendas e do resultado operacional

Em 2014/15, as vendas da Alstom atingiram € 6,2 bilhões, com um aumento orgânico de 7%, graças principalmente às entregas de trens suburbanos, regionais, e de alta velocidade, na França, Itália e Alemanha, bem como trens de alta velocidade no Marrocos e VLTs em Dubai. Os países emergentes representaram 30% das vendas.

O resultado operacional (após custos corporativos), de € 318 milhões, registrou um vigoroso aumento de 19%. A margem operacional, de 5,2% após custos corporativos, melhorou em 50 bps, graças à boa execução dos projetos e a um controle estrito dos custos, parcialmente reduzida por custos de início de operação de novas plataformas.

O resultado líquido derivado das operações continuadas foi impactado por uma série de itens excepcionais, como uma reserva para o acordo com o Department of Justice dos Estados Unidos (c.€ 720 milhões), baixa de ativos na Rússia (c.€ 90 milhões) e gastos de reestruturação (c.€ 100 milhões).

O resultado líquido derivado das operações descontinuadas foi de € 104 milhões.

Forte geração de fluxo de caixa na segunda metade do ano

Como previsto, o fluxo de caixa das operações continuadas (antes dos impostos e pagamentos financeiros), de € 77 milhões, foi positivo para o ano, com € 162 milhões gerados em fluxo de caixa na segunda metade do ano. Apesar de uma gestão rigorosa do capital de giro, o fluxo de caixa foi impactado este ano pelo perfil de caixa desfavorável de alguns contratos executados na primeira metade do ano.

O fluxo de caixa das operações descontinuadas (antes dos impostos e pagamentos financeiros) ficou em € 19 milhões, registrando forte retomada na segunda metade do ano em € 1 bilhão, graças ao melhor perfil de caixa de alguns projetos executados no período e a uma gestão rigorosa.

O Grupo fechou março de 2015 com um caixa bruto de € 1,6 bilhão, assim como uma linha de crédito confirmada não utilizada de € 1,35 bilhão. A obrigação de € 722 milhões que vencia em setembro de 2014 foi paga na data determinada.

A dívida financeira líquida do Grupo foi de € (3,143) milhões em 31 de março de 2015, com relação a € (3,038) milhões em 31 de março de 2014. Esta evolução resultou principalmente do fluxo de caixa negativo (após impostos e pagamentos financeiros) e da conclusão da venda da atividade de componentes auxiliares de geração de energia a vapor.

O capital próprio reduziu-se durante este período, e totalizou € 4,224 milhões em 31 de março de 2015, quando era de € 5,109 milhões em 31 de março de 2014, principalmente impactado pelo resultado líquido negativo.
Últimas informações relativas ao projeto com a General Electric

Em 20 de junho de 2014, o Conselho de Administração da Alstom recomendou por unanimidade a oferta da General Electric de adquirir as atividades do setor Energia da Alstom e de estabelecer três alianças na forma de joint-ventures em algumas destas atividades.

O processo de informação – consulta das comissões de funcionários está concluído, o acordo principal e toda a documentação correspondente já foram assinados entre a Alstom e a General Electric, foi obtida a autorização para investimento estrangeiro das autoridades francesas e, em 19 de dezembro de 2014, os acionistas aprovaram a transação por uma maioria de 99,2%. As autorizações requeridas a título do controle da concorrência estão em andamento, e a General Electric e a Alstom estão ativamente empenhadas em finalizar o processo, possibilitando uma conclusão nos próximos meses.

A receita da venda deverá ser utilizado para reforçar a estrutura do balanço do Grupo, reembolsar uma parte da dívida e retornar caixa aos acionistas com uma possível oferta pública de recompra de ações (offre publique de rachat d’actions). Tal oferta deverá ser submetida à decisão dos acionistas uma vez concluída a transação.

Perspectivas

“As previsões a médio prazo para as vendas são de um crescimento orgânico de mais de 5% por ano, sendo que a margem operacional deverá melhorar gradualmente na ordem de 5 a 7% As previsões são que o fluxo de caixa esteja alinhado ao resultado líquido antes das contribuições das atividades do setor Energia, com uma possível volatilidade em períodos curtos”, diz o comunicado da Alstom.

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