ANÁLISE: Custo adicional para o setor de geração de energia pode chegar aos R$ 30 bilhões em 2015

Dados da corretora Coinvalores afastam possibilidade de racionamento, mas atenção para condições hidrológicas

Mais uma audiência

No Relatório de Análise Setorial da corretora Coinvalores, o racionamento para este ano foi afastado, porém ainda é preciso cautela para os risco de uma restrição no consumo de energia elétrica. As condições climáticas adversas e, consequentemente, dos desafios seguem afligindo o setor, considerando os dados referentes ao primeiro semestre corroboram essa perspectiva.

Segundo números do Operador Nacional do Sistema – ONS, os reservatórios do Sistema Interligado Nacional –SIN encerraram o período úmido (em abril) de 2015 com um armazenamento médio de 34,9%, sendo que na média histórica (de 1997 a 2014) o armazenamento registrado no fim desse período é de 74,7%, impactando, portanto, a geração hidráulica.

A questão é que essa queda na geração das usinas hidrelétricas tem culminando em um alto custo para o sistema, já que as geradoras não conseguem gerar tudo o que possuem de energia assegurada (que equivale ao máximo de energia que uma usina pode gerar durante seu pior ciclo hidrológico).

A diferença entre o que se tem de energia assegurada e tudo o que foi efetivamente gerado, conhecido por GSF (Generation Scaling Fator), ficou na média em 20% ao longo do primeiro semestre (ou seja, a produção hidrelétrica ficou em torno de 80% de seu potencial), ante um déficit de aproximadamente 9,3% em 2014 e de cerca de 1,5% em 2013.

De acordo  com a  estimativa  da  Câmara de Comercialização  de  Energia Elétrica – CCEE,  na média o  GSF de 2015 deve  ficar  em  torno  de  18%. Com isso, estima-se que o custo adicional para o setor de geração de energia pode chegar perto dos R$ 30 bilhões neste ano (frente ao dispêndio de cerca de R$ 20 bilhões em
2014).

Nesse contexto, o cenário se torna extremamente adverso para as geradoras, que já reivindicam alguma ajuda do governo e, em alguns casos, até entraram na justiça a fim de limitar o chamado “risco hidrológico” de suas operações. Logo, sob o risco de um colapso na liquidação financeira dos contratos mensais, o Ministro de Minas e Energia-MME, Eduardo Braga, vem costurando uma medida que não muda o passivo já acumulado pelo setor, mas que visa diminuir o risco daqui em diante.

A expectativa é que a medida se dê a partir de um acordo voluntário, onde as geradoras seriam responsáveis por repor o volume de energia não entregue quando a produção ficar entre 95% e 99% da garantia física, enquanto que seria instituído um fundo, formado por energia de reserva, que seria utilizada sempre que produção hidrelétrica ficar entre 90% a 95%, sendo, portanto, necessário o investimento das geradoras em uma energia adicional (que pode ser vendida em leilões de energia de reserva ou no mercado de curto prazo).

Já  quando  a  produção  hídrica  for  menor  que  90%  da  garantia  física  do sistema  (como  no  caso deste  ano)  o  risco  seria  distribuído  com  os  consumidores,  por  meio  do  Encargo  de  Serviços  do Sistema–ESS. Todavia,  até  então  não  houve  um  anúncio  formal do  pacote,  que  segue  em discussão na audiência pública instituída pela Agência Nacional de Energia Elétrica–ANEEL.

“Sem dúvidas, esse deve ser um ponto de atenção nas próximas semanas, sendo que o desfecho das  discussões  junto  a  ANEEL  e  o  MME  são  de  suma  importância  para  balizar  as  perspectivas quanto à situação financeira das geradoras. Entendemos que a solução que vem sendo cogitada é positiva  pela  redistribuição  do  risco  hidrológico,  entretanto,  ainda faltam detalhes  e clareza  nas diretrizes da medida, fato que dificulta a visibilidade de seus possíveis resultados”, mostra o relatório.

Por  fim, é  importante mencionar  que  é  em  meio  a  esse cenário  mais  adverso  que  surgem boas oportunidades,  pois  o  aumento  dos  preços  de  energia  elétrica abre espaço  para  a  realização  de novos  investimentos,  sobretudo  em  fontes alternativas,  como em eólicas  e em térmicas  à biomassa.

“Contudo, para o segundo semestre de 2015 vislumbramos que o elevado dispêndio na rubrica de compra de energia deve continuar impactando a margem das geradoras, o que também deve secar a distribuição de proventos neste ano”, fecha o relatório da Coinvalores.

0 acharam esta informação útil

0 não acharam esta informação útil

Assuntos desta notícia