ATA DO COPOM: Comitê avaliou a situação atual do setor de geração de energia elétrica no país

O BCB considerou o peso das tarifas de energia e alimentos na inflação e deflação

Peso na inflação

O Comitê de Política Monetária, Banco Central do Brasil, apresentou nesta manhã a ata da última reunião, quando fez um corte de 0,75 p.p na taxa Selic, que ficou em 7,5% ao ano.

Na ata, o Copom destacou inicialmente que o “conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira”. A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.

O cenário básico de inflação tem evoluído conforme o esperado. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus recuaram para em torno de 3,1% para 2017 e 4,0% para 2018. As projeções para 2019 e 2020 mantiveram-se em torno de 4,25% e 4,0%, respectivamente.

Para a trajetória de preços administrados, que compõe as projeções condicionais para a inflação produzidas pelo Copom, projeta-se variação de 7,9% em 2017, 5,1% em 2018 e 4,3% em 2019.

O cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus supõe, entre outras hipóteses, taxas de câmbio de R$3,16/US$, R$3,30/US$ e R$3,33/US$ ao final de 2017, 2018 e de 2019, respectivamente, e taxas de juros de 7,00% ao ano (a.a.) ao final de 2017 e 2018, elevando-se para 8,00% ao longo de 2019. Sob essas hipóteses, as projeções de inflação do Copom mantiveram-se em torno de 3,3% para 2017 e reduziram-se para aproximadamente 4,3% para 2018. Para 2019, as projeções estão em torno de 4,2%.

O Copom considera como uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Esse risco se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes.

Todos concordaram que a economia deve seguir em trajetória de recuperação gradual, cujos sinais são perceptíveis, como, por exemplo, os avanços observados no emprego, mesmo nessa fase inicial do processo. Avaliaram que, à medida que a recuperação avança, o crescimento do consumo deveria abrir espaço para a retomada do investimento.

O Comitê avaliou a situação atual do setor de geração de energia elétrica no país e incorporou o anúncio recente de reajuste de tarifas em seu cenário básico para a inflação.

Em relação à política monetária, houve consenso que, assim como no caso de outros eventuais ajustes de preços relativos decorrentes de choques de oferta, com expectativas de inflação ancoradas, a política monetária deve combater apenas os efeitos secundários desses choques. O Comitê reitera que sua reação a possíveis mudanças de preços relativos, como nos casos de alimentos e de eventuais reajustes de tarifas de energia elétrica, será simétrica, ou seja, a política monetária seguirá os mesmos princípios tanto diante de choques de oferta inflacionários quanto desinflacionários.

“Os membros do Comitê então debateram o próximo passo na condução da política monetária e o ritmo de flexibilização adequado para o atual estágio do ciclo. Concluíram que, caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico do Copom, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, uma redução moderada na magnitude de flexibilização na próxima reunião parece adequada sob a perspectiva atual”, destacou o Comitê.

Todos os membros do Comitê voltaram a enfatizar que a aprovação e implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal, e de ajustes na economia brasileira são fundamentais para a sustentabilidade do ambiente com inflação baixa e estável, para o funcionamento pleno da política monetária e para a redução da taxa de juros estrutural da economia, com amplos benefícios para a sociedade.

Decisão de política monetária

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 7,50% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2018 e 2019, é compatível com o processo de flexibilização monetária.

Por fim, o Comitê destaca a próxima medida para a taxa de juros. “A evolução do cenário básico, em linha com o esperado, e o estágio do ciclo de flexibilização tornaram adequada a redução da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária. O Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, finaliza.

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