Biogás causa impacto positivo na matriz, diz executivo da EPE

O biogás poderia gerar 115 mil gigawatts-hora (GWh) de energia com o aproveitamento dos rejeitos urbanos

Biogás

O Diretor de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Mauro Ferreira Coelho, em palestra durante o IV Fórum do Biogás, apresentou dados sobre as vantagens e impactos positivos do uso do biogás e do biometano na matriz energética brasileira.

O executivo lembrou que pela primeira vez o Plano Decenal de Expansão 2026 (PDE), que indica como deverá se comportar a expansão da matriz energética no Brasil nos próximos dez anos, contemplou um valor significativo de biogás como componente da matriz elétrica. O Plano indica que o energético, que hoje conta com apenas 127 megawatts (MW) segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), poderá ter cerca de 300 MW somente em Geração Distribuída, se destacando como uma das grandes fontes ao lado da fotovoltaica.

“Hoje a participação do biogás na oferta interna de energia é de apenas 0,05% na matriz, há um potencial imenso para o biogás aumentar sua oferta. Já a participação do biogás na biomassa é de apenas 1%, o que mostra um grande potencial de crescimento”.

O biogás poderia gerar 115 mil gigawatts-hora (GWh) de energia com o aproveitamento dos rejeitos urbanos, da pecuária e agroindústria, isso equivale a mais de uma Itaipu em energia de biogás por ano, segundo os dados da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás).

As projeções da EPE em relação ao biogás é um crescimento de 8,4 bilhões de metros cúbicos até 2026 somente para o setor sucroenergético.

“Visualizamos uma série de oportunidades para o setor de biogás como a geração situada próximo ao centro de consumo, a injeção do energético na rede de gás natural, o desenvolvimento regional e o desenvolvimento de novos mercados”, diz.

Coelho lembrou ainda que a presença de fontes hidráulicas na matriz tende a diminuir, assim como deve crescer a presença de eólica e da solar, fontes intermitentes. Entretanto, o sistema elétrico brasileiro necessita cada vez mais de maleabilidade de despacho para complementar a inserção de fontes de geração variável, a diminuição relativa da capacidade de armazenamento de energia em reservatórios deve ser compensada pelo aumento da capacidade de outro tipo de fonte.

“Quem vai suprir a intermitência da eólica e da solar são as térmicas, entre elas o biogás”, prevê Coelho.

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