CEPE: Novo Plano Paulista de Energia será apresentado em junho de 2017

Gás natural é considerado o insumo de transição para as energias renováveis e deverá ser fomentado nos próximos anos

Gás em expansão

O Conselho Estadual de Política Energética – Cepe, responsável por elaborar o PPE – Plano Paulista de Energia, realizou nesta terça-feira (22), na sede da Secretaria de Energia e Mineração, mais uma reunião que visa estabelecer o novo PPE tendo o ano de 2030 como horizonte.

O presidente do Cepe e secretário de Energia e Mineração, João Carlos Meirelles, disse que a meta do Conselho é apresentar o novo Plano Paulista de Energia em junho do ano que vem. “Os seis comitês técnicos estão trabalhando desde abril e em mais seis meses poderemos apresentar o novo PPE”.

O principal tema do encontro desta terça-feira foi o gás natural, insumo identificado como energia de base para a transição da matriz para as energias renováveis. O representante da Secretaria no comitê técnico VI – Petróleo e Gás, Dirceu Abrahão, apresentou um panorama atual do potencial de produção de gás no Brasil e detalhou as potencialidades do insumo no Estado de São Paulo.

Foram discutidas ações que estão em curso na iniciativa privada e no governo federal como o programa Gás para Crescer, as perspectivas de suprimento, potenciais investimentos, a geração de energia elétrica por meio de termelétricas a gás natural operando na base e a introdução do biometano na rede.

O comitê técnico projetou para 2029 a expansão de gás canalizado no Estado de São Paulo, que prevê dobrar o número de municípios atendidos, passando dos atuais 143 para 285, o que compreenderia 44% das cidades paulistas, atendendo 5,2 milhões de clientes. Esse crescimento demandaria um investimento por parte das distribuidoras de R$ 12,8 bilhões nos próximos anos.

Com esses recursos a atual rede de distribuição passaria dos atuais 16 mil quilômetros para 45 mil nos próximos 13 anos, atingindo o consumo de mais de 18 milhões de metros cúbicos de gás por dia no Estado.

Esse montante poderá ser utilizado por novas termelétricas a gás. Atualmente, existem três termelétricas no Estado e há projeto de outras três, sendo duas na capital e uma em Lins, que poderão fornecer no futuro energia na base do sistema elétrico dando segurança energética para o estado de São Paulo.

Abrahão destacou também as dificuldades existentes para que o plano de utilização do gás seja cumprido. Entre os principais entraves estão a previsibilidade tarifária, continuidade das concessões para garantir os investimentos, regulação do gás natural comprimido e do gás natural liquefeito, além dos aspectos regulatório, tributário e ambiental. “Temos toda essa agenda, mas o fundamental é preparar a infraestrutura para que em 2030 o gás seja utilizado sem problemas pela indústria, comércio e residências”, afirmou Abrahão.

Outro projeto destacado pelo comitê de Petróleo e Gás é o de fomentar o uso do biometano produzido nas usinas de cana de açúcar. Segundo o estudo do comitê, 54 usinas já despacham energia elétrica para o sistema interligado nacional de e até 2029 outras 40 usinas poderão se conectar ao sistema. Além de fornecer energia elétrica essas usinas poderão aumentar o despacho de biometano em até 1 milhão de metros cúbicos por dia, com a possibilidade de utilizar na frota de caminhões, máquinas e equipamentos. “Essa ideia do biometano na frota de caminhões das usinas em motores flex diesel/gás é muito atraente”, destacou o presidente da Fapesp e conselheiro do Cepe, José Goldemberg.

Além do uso do biometano, o conselheiro e secretário-adjunto de Agricultura e Abastecimento, Rubens Rizek, apontou o gás produzido pelo lixo como um importante insumo, principalmente para o uso na frota de ônibus urbanos da região metropolitana de São Paulo. “Geramos na cidade de São Paulo 15 mil toneladas de matéria orgânica por dia. O orçamento da capital no ano que vem para enterrar essa matéria é de R$ 1,2 bilhão. Eu insisto em mexer com o orgânico. Temos que ter essa energia como prioritária juntamente com outras renováveis como a vinhaça e o biometano”, destacou.

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