China e União Europeia assumem compromisso com o Acordo de Paris

Acordo de Paris estabelecerá um novo objetivo coletivo quantificado a partir de um piso de US $ 100 bilhões por ano

Pesou

O presidente dos Estados Unidos Donald  Trump vai anunciar sua decisão sobre o Acordo de Paris mais tarde, hoje às 16h00 (horário de Brasília). Hoje é também o dia em que começa o encontro de cúpula entre China e União Europeia, que vai até amanhã, quando será anunciado um pacto climático. O texto que será anunciado vazou e confirma que estes dois gigantes reforçarão seu compromisso com o Acordo de Paris – mostrando que qualquer que seja a decisão do presidente norte-americano, o resto do mundo manterá a economia global na direção das energias limpas.

A declaração será formalmente assinada amanhã às 7h15 da manhã (no horário de Brasília) pelos líderes que participam do encontro: o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, o presidente da Comissão Européia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro chinês Li Keqiang

Pontos da Declaração:

1) Sobre o Acordo de Paris
A UE e a China estão confirmando seu compromisso com o Acordo de Paris e intensificam sua cooperação para melhorar a sua implementação.
Eles estão destacando como abordar as mudanças climáticas e reformar os sistemas de energia são “significativos fatores de criação de emprego, oportunidades de investimento e crescimento econômico”.
A UE e a China comprometem-se a “intensificar significativamente a sua cooperação política, técnica, económica e científica em matéria de alterações climáticas e energia limpa”.
Eles apelam a “todas as Partes para defender o Acordo de Paris, implementar seus NDCs e fortalecer os esforços ao longo do tempo, de acordo com o propósito e as disposições do Acordo”.

2) Sobre financiamento climático
Este é o primeiro acordo UE-China para cooperação triangular de desenvolvimento de energia limpa com países em desenvolvimento:
“A UE e a China irão explorar as possibilidades de cooperação triangular para promover o acesso sustentável à energia, a eficiência energética e o desenvolvimento com baixas emissões de gases de efeito estufa em outros países em desenvolvimento e ajudá-los a aumentar sua capacidade de combate às alterações climáticas, com especial atenção para a África, os países menos desenvolvidos e os pequenos estados insulares em desenvolvimento, conforme refletido nos planos, estratégias e políticas climáticas nacionais desses países”.

Confirmação do objetivo de US$ 100 bilhões até 2020 e um novo objetivo de 2025 com o qual a China contribuirá:

“A UE está totalmente comprometida com o objetivo da mobilização coletiva dos países desenvolvidos, de modo a fornecer conjuntamente 100 mil milhões de dólares anualmente até 2020 e exorta os outros países países desenvolvidos a manter este objetivo coletivo. (…) Antes de 2025, a Conferência das Partes servindo como encontro das partes para o Acordo de Paris estabelecerá um novo objetivo coletivo quantificado a partir de um piso de US $ 100 bilhões por ano, levando em consideração as necessidades e prioridades dos países em desenvolvimento “.

Reações:

Li Shuo, Conselheiro de Política Climática do Greenpeace East Asia, disse:
“A rápida reação à ação climática dos EUA exige uma liderança mais forte de todos os outros países. Estamos vendo novas lideranças assumindo de forma concreta entre Bruxelas e Pequim. A declaração conjunta mostra claramente a disposição de cada lado em levar as questões adiante. O novo nível de cooperação indica sua determinação política de trabalhar juntos na era de Trump. No entanto, para demonstrar que Pequim e Bruxelas podem realmente liderar, ambos precisam acelerar suas ações domésticas. Reconhecer a supervisão de seus respectivos objetivos internacionais de redução de emissões e aumentar esses compromissos é um bom ponto de partida”.

Stephanie Pfeifer, CEO do Grupo de Investidores Institucionais sobre Mudanças Climáticas, disse:
“Duas das maiores economias do mundo estão avançando com a mudança para uma economia de baixo carbono, independentemente das ações da administração dos EUA. Como investidores institucionais que supervisionam mais de US $ 18 trilhões de ativos, nossos membros sabem que fazer o que é certo para o planeta também faz sentido econômico e precisamos que os governos providenciem um ambiente político que encoraje investimentos de baixa emissão de carbono. Congratulamo-nos com este anúncio da UE e da China, e exortamos outros governos a respeitarem o compromisso com o Acordo de Paris “.

Jo Leinen, deputado alemão do Parlamento Europeu e presidente da Delegação UE-China do Parlamento, disse:
“Trump está prestes a cometer um erro histórico. Sua resistência para apoiar a ação climática internacional é irresponsável. Trump arrisca o futuro do nosso planeta e o destino de milhões de pessoas. A política de Trump é egoista e olha apenas o curto prazo. A resposta da Europa deve ser inconfundível: o Acordo de Paris é irreversível. Retirar os compromissos vinculativos é inaceitável. A UE tem que afirmar a ação climática como prioridade e deve conquistar novos parceiros. A comunidade global deve permanecer em pé agora e não deixar dúvidas quanto ao seu compromisso com o Acordo de Paris. A UE e a China têm que assumir a liderança da ação climática e devem engajar outros países para se juntarem. A cúpula dará a chance de enfrentar o Trump e mostrar, que ele está isolando os EUA com essa política. Em contraste com o governo dos EUA, a Europa e a China entenderam o potencial de uma economia de baixas emissões para o emprego e o crescimento “.

Mirella Vitale, vice-presidente sênior da Rockwool International, disse:
“Obviamente, preferimos que os EUA permanecessem no Acordo de Paris, mas a esperança é o consenso quase universal sobre a importância de cortes mais altos nas emissões de gases de efeito estufa. A eficiência energética é a maneira mais econômica de enfrentar o aquecimento global e somos encorajados pela liderança da UE sua preparação para aumentar a ambição de seus objetivos de eficiência energética. Venha o que vier, não há volta na ação climática”.

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