Crise grega e os juros nos Estados Unidos freiam o consumo de petróleo

Em 2015, o preço médio do barril de referência da Opep subiu até os US$ 59,89, quase dez dólares a mais que no anterior trimestre

Refinarias e a produção

A crise na zona do euro e a alta das taxas de juros nos Estados Unidos neutralizam o efeito positivo do barateamento do petróleo sobre o crescimento de seu consumo no planeta.

Assim indica a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em seu relatório mensal que, publicado nesta segunda-feira, revela pela primeira vez suas estimativas sobre a evolução do mercado mundial de petróleo em 2016.

“Enquanto os (moderados) preços atuais do petróleo continuarão apoiando a economia mundial até certo ponto, vários desafios” neutralizam esse efeito e freiam o crescimento do consumo de energia, explicam os autores do documento.

Entre esses fatores, destacam-se os elevados níveis de dívida em países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e “o ainda alto desemprego na zona do euro em combinação com incertezas na Grécia”.

A isso são acrescentados “assuntos geopolíticos em curso”, em alusão a diversos conflitos, especialmente aos do Oriente Médio, a região mais rica em petróleo do mundo, com cerca de 80% das reservas provadas do planeta.

A perspectiva de altas das taxas de juros nos Estados Unidos e uma desaceleração da economia chinesa tendem, além disso, a conter o consumo energético, indica a Opep.

Em 2015, o preço médio do barril de referência da Opep subiu até os US$ 59,89, quase dez dólares a mais que no anterior trimestre, mas muito abaixo da média de US$ 105,30 que teve no segundo trimestre do ano passado.

A principal causa desse barateamento que começou há um ano é uma oferta excessiva frente a uma demanda debilitada, uma pressão em baixa que a Opep se negou a suavizar, como em algumas ocasiões anteriores, limitando sua produção conjunta.

Oficialmente, o grupo mantém um teto de sua oferta conjunta de 30 mbd, mas em junho superou esse limite com um bombeamento de 31,3 mbd devido a incrementos das extrações do Iraque, Nigéria, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

A organização perdeu controle e presença em alguns mercados saturados graças ao forte crescimento das provisões de seus concorrentes durante os últimos anos, especialmente os de petróleos não convencionais como o petróleo de xisto nos Estados Unidos.

O relatório numera em 57,69 mbd a oferta “Não-OPEP” deste ano, e em 57,69 mbd em 2016.

O objetivo da estratégia atual da organização, defendida em seu seio pela Arábia Saudita -o maior exportador mundial de petróleo e líder natural de seus parceiros na Opep-, é defender a participação de mercado às custas das cotações.

“Os preços mais baixos impulsionam o crescimento (econômico), mas danificam as provisões dos Estados Unidos. As reservas comerciais (de petróleo) americanos caíram (entre final de abril e final de junho) frente a uma demanda firme das refinarias”, explica a Opep.

Se esse fenômeno se traduziu em um encarecimento do petróleo, a incerteza em torno da crise da Grécia pressionou para baixo as cotações, acrescenta.

Seja como for, os fatores que tendem a encarecer o petróleo “não neutralizaram ainda o efeito negativo que tem o aumento das provisões sobre os preços”.

Baseada em uma previsão do crescimento da conjuntura mundial de 3,2% em 2015 e de 3,5% no próximo ano, a Opep espera que a demanda mundial de petróleo cresça 1,4% neste ano, e 1,44% em 2016.

Fundada em 1960 em Bagdá, a Opep é integrada hoje por Angola, Arábia Saudita, Argélia, Equador, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Catar e Venezuela.

Com Ag.EFE

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