Deputados visitam Complexo Petroquímico do Rio para investigar denúncias

Petrobras restringiu o pagamento dos aditivos dos contratos por suspeita de irregularidades, o que ocasionou a demissão de milhares de trabalhadores de refinarias e estaleiros

Ag. Petrobras

Os deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras visitaram na última sexta-feira (08) a sede do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, para investigar denúncias de demissões de trabalhadores e superfaturamento na obra, praticamente paralisada hoje em razão das investigações da Operação Lava Jato e das suspeitas de pagamento de propina por parte de empresas contratadas.

Nos documentos de auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), segundo a CPI, além do atraso na entrega da obra, que estava prevista para 2011, os custos já alcançam cerca de 500% a mais do valor inicial estimado.

Orçado inicialmente em 8,4 bilhões de dólares, o custo do complexo hoje é estimado em 47,7 bilhões de dólares. O valor foi questionado pelo TCU. As informações constam ainda do requerimento do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que já requisitou ao tribunal a realização de auditoria do último balanço financeiro da Petrobras (2014).

De acordo com o parlamentar, nada substitui a verificação in loco das denúncias recebidas pela CPI. “Por mais que, em Brasília, depoimentos sejam apresentados, documentos sejam trazidos, nada substitui uma constatação no local, a dimensão do problema do Comperj”, disse Otavio Leite.

Depoimentos sobre o caso

Em depoimento à CPI da Petrobras no último mês (28), o ex-gerente do Comperj Jansen Ferreira da Silva disse desconhecer superfaturamento na obra. Dois empresários que fizeram delação premiada à Justiça Federal, Júlio Camargo e Augusto Mendonça, afirmaram na CPI que houve, sim, pagamento de propina na obra para os ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque, assim como para o ex-gerente de Tecnologia Pedro Barusco.

A visita da comitiva, formada por seis parlamentares da CPI, faz parte das diligências que investigam irregularidades na obra do governo federal. Segundo o deputado Otavio Leite, todas as informações sobre a visita serão expostas aos demais membros do colegiado a partir da semana que vem.

Demissões em Pernambuco

Ainda na sexta-feira (8), outro grupo de parlamentares, integrantes da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara, investigaram demissões de trabalhadores nas empresas que atuam no porto de Suape, em Pernambuco, onde estão a refinaria Abreu e Lima e o estaleiro Atlântico Sul, principais alvos da investigação.

Assim como na Comperj, as demissões teriam ocorrido após o início do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras na operação Lava Jato.

De acordo com o presidente da comissão, deputado Benjamin Maranhão (SD-PB), há indícios de paralisação das referidas construções e de suspensão de recursos aos estaleiros mencionados por parte da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Nos últimos três meses, de acordo com o deputado, a Petrobras restringiu o pagamento dos aditivos dos contratos por suspeita de irregularidades, o que ocasionou a demissão de milhares de trabalhadores de refinarias e estaleiros.

“Só na indústria da construção civil pesada, voltada para as plantas industriais e investimentos como este da Abreu e Lima e da montagem do estaleiro Atlântico Sul, foram 24 mil demissões no estado de Pernambuco, entre o final de 2014 e o início de 2015. É uma situação bastante preocupante do ponto de vista do impacto nestes empregos”, disse Benjamin Maranhão.

O deputado afirmou que será elaborado um relatório com todas as diligências realizadas pelo colegiado, para que seja possível a “punição dos envolvidos em corrupção, sem comprometer as atividades dessas empresas e de seus trabalhadores”.

O foco, segundo os parlamentares, será na coleta de informações e documentos tanto de sindicatos quanto de órgãos federais de controle e fiscalização, como a Controladoria-Geral da União (CGU) e o TCU.

Com Ag. Câmara

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