EDP atinge 3.277 GWh de energia vendida com Pecém I no 4T15

Volume é superior em 54,2% em relação aos 2.124 GWh do mesmo período de 2014

Volumes para cima

A EDP Energias do Brasil apresentou nesta quinta-feira (20) os números de energia elétrica referentes ao quarto trimestre e do ano de 2015 dos segmentos de atuação da companhia e das controladas.

Conforme o comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a energia vendida para os clientes finais apresentou redução de 2,1%, consequência da queda do consumo das classes industrial e comercial, influenciadas pela desaceleração da economia e pelo aumento das tarifas de energia elétrica em cerca de 50%. A companhia considerou a revisão tarifária extraordinária, aplicação das bandeiras tarifárias a partir de março de 2015 e os reajustes tarifários anuais da EDP Escelsa, em agosto, e da EDP Bandeirante, que coincidiu com a revisão tarifária periódica, em outubro.

Ao longo de 2015, o consumo apresentou redução de 1,4%, se comparado ao ano anterior, refletindo também as questões econômicas e tarifárias, que foram impactadas pelas  condições climáticas no estado do Espírito Santo.

Classes – Residencial e Comercial:

O consumo da classe residencial manteve-se estável, enquanto na classe comercial houve redução de 1,3%. Apesar do efeito positivo das condições climáticas no estado do Espírito Santo, a redução se deu com o impacto negativo do aumento no desemprego (9,0%) e do avanço da inflação (IPCA 10,7%2), que reduziram o poder de compra dos consumidores. No ano, a classe residencial recuou 1,0%, enquanto a classe comercial apresentou crescimento de 1,0%.

EDP Bandeirante:

O consumo das classes residencial e comercial recuou 1,0% e 2,4%, respectivamente, influenciado pelo efeito combinado da desaceleração da economia e do aumento tarifário. Nos 12 meses de 2015, a classe residencial apresentou redução de 2,3%, influenciado pelos mesmos fatores, enquanto que a classe comercial ficou estável, refletindo o impacto positivo da expansão do Aeroporto Internacional de Guarulhos, ocorrido no primeiro semestre de 2015.

EDP Escelsa:

O consumo das classes residencial e comercial cresceu 1,5% e 0,5%, respectivamente. Apesar da desaceleração da economia, dos aumentos tarifários e do menor número de dias médios de faturamento (-2,5 dias no 4T15, e -1,7 dias em 2015) terem impactado negativamente o consumo, as temperaturas mais elevadas no estado do Espírito Santo (+1,9ºC no 4T15 e +1,3º C em 2015, na cidade de Vitória) explicam o crescimento do consumo no 4T15 e no ano. No ano de 2015, as classes residencial e comercial apresentaram crescimento de 1,1% e 2,4%, respectivamente. No ano, o consumo da classe comercial também foi impactado positivamente pela entrada de dois novos clientes (shoppings). Excluindo o efeito destes dois clientes, o crescimento seria de 1,4%.

O consumo por cliente residencial apresentou queda de 3,9% e 2,2% na EDP Bandeirante e na EDP Escelsa, respectivamente, refletindo os efeitos econômicos e a reação dos consumidores aos efeitos dos aumentos tarifários. Para o ano, o consumo por cliente residencial apresentou queda de 5,4% e de 2,6%, na EDP Bandeirante e na EDP Escelsa, respectivamente, influenciado pelos fatores já considerados, e ainda pelo efeito das condições climáticas no primeiro trimestre de 2015 na EDP Bandeirante (temperatura mais amena) ao compararmos com o primeiro trimestre de 2014.

Industrial:

A redução de 13,9% no 4T15 e de 9,4% no ano de 2015, influenciada pela retração da produção industrial (-8,1%3).

EDP Bandeirante:

A redução na área de atuação da distribuidora foi de 14,7% no consumo industrial e deve-se à contração da produção industrial em São Paulo, que atingiu 10,9% , com destaque para a queda de 22,8% no setor de veículos automotores. A cadeia automotiva (setores de veículos, minerais não metálicos e borracha) representa 30% do consumo do mercado cativo. No ano de 2015, o recuo foi de 9,6%.

EDP Escelsa:

A retração de 12,1% no consumo no 4T15 deve-se à: queda de 14,8% no consumo do setor de minerais não metálicos, principalmente em função da expansão da autoprodução de um consumidor e da migração de outro para o ambiente de contratação livre e  decréscimo de 15,2% no consumo do setor químico, devido à redução da produção de um consumidor expressivo. Esses dois setores representam 48% de participação do consumo industrial. Adicionalmente, no trimestre, destaca se a migração de três clientes (dos setores de minerais não metálicos, alimentos/ bebidas e metalurgia) do Ambiente de Contratação Regulado (ACR) para o Ambiente de Contratação Livre (ACL). Excluindo o efeito desses três clientes, a redução da classe seria de 9,0%. No ano de 2015 o recuo foi de 8,9% em relação ao ano anterior, em função da piora do cenário econômico ao longo do ano, com predomínio no segundo semestre de 2015.

Rural:

O crescimento de 14,1% no 4T15 e de 13,4% no ano, em comparação aos períodos homólogos, deve-se ao aumento do consumo na EDP Escelsa (+16,9% no 4T15 e +15,9% no ano), refletindo a estiagem que atingiu o estado do Espírito Santo durante todo o ano de 2015, elevando o consumo de energia para irrigação.

Mercado livre

A energia em trânsito consolidada no sistema de distribuição (USD), destinada ao atendimento do consumo dos clientes livres, recuou 12,4% em função da desaceleração da produção industrial no estado de São Paulo e no estado do Espírito Santo. No ano, o recuo foi de 5,5% em relação a 2014, menor que no 4T15, uma vez que o impacto causado pelo acidente na cidade de Mariana ocorreu a partir de novembro de 2015.

EDP Bandeirante:

A redução de 7,9% no 4T15, reflete a diminuição da produção industrial em São Paulo e o desligamento de dois clientes (2T15), um do setor de metalurgia e outro do setor têxtil. No ano, o recuo do consumo da classe foi de 7,7%.

EDP Escelsa:

A redução de 18,5% no 4T15 reflete a redução de consumo no setor de extrativismo mineral (-29,3%), que representa 60% do consumo desta classe, e a paralisação da produção de um importante cliente, influenciado pelo acidente na cidade de Mariana. O impacto da paralisação deste cliente ainda não será sentido na receita deste trimestre, pois conforme resolução 414, o cliente está cumprindo com a obrigação da sua demanda contratada. Excluindo este efeito, o recuo teria sido de 2,8%. No ano de 2015, a redução foi de 2,4%, em relação a 2014, em linha com a redução de 2,8% no 4T15, ao excluirmos o efeito do acidente de Mariana. A migração de cinco clientes do ACR para o ACL (dois no 1T15, um no 2T15 e dois no 4T15) e a entrada de um novo cliente industrial do setor de transporte (3T15) contribuíram positivamente para o resultado. Desconsiderando as migrações e a entrada do novo cliente, a classe recuaria 19,4% no 4T15 e, 3,0%, no ano.

Adicionalmente, o aumento das tarifas no ACR ao longo do ano de 2015 e a redução nas estimativas dos preços do ACL provocaram aumento das migrações dos clientes do ACR para o ACL. Entretanto, conforme às regras regulatórias, o prazo para a efetivação do término dos contratos é de seis meses a partir da solicitação pelo cliente e, desta forma, os efeitos das migrações só serão sentidos ao longo do ano de 2016.

Geração

O volume de energia vendida do grupo no 4T15 alcançou 3.277 GWh, aumento de 54,2% em relação aos 2.124 GWh no 4T14. Esse aumento é decorrente da contabilização do volume da UTE Pecém I a partir de maio de 2015, data que ocorreu o closing da aquisição dos 50% remanescentes pertencentes a Eneva. No acumulado do ano, o volume alcançou 11.581 GWh, 40,2% acima dos 8.260 GWh referente a 2014, reflexo do mesmo motivo citado acima.

Desconsiderando o volume da UTE Pecém I e considerando somente a energia vendida das hídricas do grupo pelo critério de consolidação, o volume de energia apresentou queda de 9,6% no 4T15 (1.919 GWh) em relação ao 4T14 (2.124 GWh) e de 0,8% no ano (8.195 GWh) em relação ao ano anterior (8.260 GWh). A diferença de volume de energia vendida entre os períodos deve-se ao efeito de sazonalização e às operações de curto prazo realizadas em 2014.

Considerando o volume de disponibilidade da UTE Pecém I, em ambos os períodos, de acordo com a participação da EDP, e de 50% da UHE Jari (237 GWh), o volume do grupo alcançou 3.513 GWh no 4T15, aumento de 17,1% em relação aos 3.002 GWh no 4T14. No acumulado do ano, o volume de energia vendida no grupo alcançou 13.503 GWh, 20,7% acima do apresentado no ano de 2014.

ANEEL:

Em maio de 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica -ANEEL iniciou a Audiência Pública, que resultou em Resolução Normativa (684/2015), editada com base em Lei  Federal, resultado da conversão da Medida Provisória – 688/2015, publicada em agosto de 2015, que estabeleceu as condições para repactuação do risco hidrológico pelos geradores hidrelétricos que integram o Mecanismo de Realocação de Energia – MRE, mediante o pagamento de um Prêmio de Risco, com efeitos retroativos a partir de janeiro de 2015.

A EDP Energias do Brasil decidiu aderir à proposta de repactuação do risco hidrológico ao ACR e pela não adesão no ACL. Com a adesão e de acordo com as novas regras de repactuação, as empresas que optaram pela adesão formalizaram a desistência da correspondente ação judicial ingressada através da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – APINE, que as protegiam desde maio de 2015 contra os efeitos do GSF. Dessa forma, a Companhia irá contabilizar os efeitos positivos da repactuação para as empresas que adeririam em dezembro de 2015 no Resultado de 2015. Para as empresas que aderiram no início de 2016, o efeito no resultado ocorrerá apenas no 1T16.

O GSF médio apresentado no quarto trimestre de 2015 foi de 94,3%, representando uma exposição de 104 GWh, excluindo o impacto da UHE Jari, ao PLD médio de R$ 177/MWh (Submercado SE/CO) e de R$ 214/MWh (Submercado N). Para UHE Jari, no mesmo período, o GSF médio representou uma exposição média de 27 GWh.

O GSF médio apresentado ao longo de 2015 foi de 85,1%, representando uma exposição de 1.186 GWh, excluindo o impacto da UHE Jari, ao PLD médio de R$ 288/MWh (Submercado SE/CO) e de R$ 251/MWh (Submercado N). Para UHE Jari, no ano de 2015, o GSF médio representou uma exposição média de 273 GWh.

Comercialização

O volume de energia comercializada no quarto trimestre de 2015 totalizou 2.606 GWh, redução de 22,5% em comparação aos 3.363 GWh comercializados no 4T14. No ano, o volume de energia comercializada totalizou 10.600 GWh, redução de 18,8% em comparação aos 13.052 GWh comercializados em 2014. A redução deve-se ao maior volume de contratos comercializados em 2014, somado ao cenário de menor volatilidade e, consequentemente, menor liquidez no período.

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