EPE considera retração de 0,5% nas projeções de energia elétrica para 2015

Programa de desinvestimento da Petrobras e ajuste macroeconômico também estão nas projeções para 2015

Consumo em queda

Conforme e Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ligada ao Ministério de Minas e Energia, alterações no panorama de curto prazo têm reflexo no comportamento do consumo de energia elétrica. Nesse contexto, a EPE reviu as projeções para a demanda de energia elétrica em 2015. A previsão anterior era de crescimento de 3%, com forte dinâmica do consumo na baixa tensão e recuo do consumo industrial. A nova projeção mantém essas características mas incorpora efeitos mais fortes das alterações no panorama, indicando que o consumo total poderá recuar 0,5% neste ano relativamente a 2014.

Nova projeção considera, dentre outros, o efeito dos seguintes fatores:

– redução da expectativa de crescimento econômico, refletindo cortes nos gastos públicos, inclusive investimento, em linha com o ajuste fiscal;
-elevação da taxa de juros e contração do crédito, em linha com o combate à inflação;
– reprogramação de projetos de investimento, como efeito do ajuste macroeconômico e da revisão do plano de inversões da Petrobras;
– elevação das tarifas de energia elétrica, decorrentes não só da revisão extraordinária e das bandeiras tarifárias, mas também das revisões anuais regulamentares; e
– campanhas para racionalização do uso da energia, em linha com o enfrentamento do cenário hidrológico desfavorável dos últimos ano.

O crescimento do consumo residencial foi revisado de 5,2% para 2,5%. Reflete principalmente a reação dos consumidores em face do aumento das tarifas e das campanhas de racionalização do uso e o desaquecimento do setor de construção civil. Incorpora ainda efeitos de uma esperada redução nas vendas de eletrodomésticos.

Na classe comercial, o crescimento do consumo de energia foi revisto de 6,1% para 2,7%, refletindo tanto a baixa na atividade econômica (segundo o IBGE, em janeiro de 2015 o comércio varejista registrou o pior resultado em vendas desde 2004) quanto o efeito da elevação das tarifas ao longo do ano. Reflete ainda a expectativa de uma menor expansão (em relação aos últimos
anos) na área de venda de shopping centers, hipermercados e comércio em geral.

O segmento industrial, um dos mais afetados pela conjuntura, teve a taxa de crescimento de seu consumo reduzida para –4,4%, contra –0,6% na previsão anterior. Além da manutenção do panorama dos segmentos eletrointensivos, que vêm reduzindo o consumo de energia desde o ano passado, avalia -se que outros segmentos industriais, notadamente construção civil e automobilístico, devem reduzir de modo expressivo seu nível de produção, iniciando retomada somente no segundo semestre. Apenas setores voltados à exportação, em que o país tem
vantagens comparativas importantes, como celulose e extração de minerais metálicos, devem apresentar crescimento de atividade e demanda de energia, aproveitando inclusive efeitos positivos da desvalorização cambial.

Pela nova previsão, o consumo total de energia elétrica na rede em 2015 será 16,6 TWh inferior à projeção anterior, o que equivale à geração de uma usina hidrelétrica de 4.000 MW durante um ano. Em relação a 2014, a nova projeção indica um consumo 2,5 TWh menor.

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