ESPECIAL: Estratégia bem montada dá ganhos para EDP Brasil

Cronograma adiantado e projetos dentro de um planejamento sólido refletiram nos resultados

Miguel Setas - CEO EDP

O primeiro semestre e segundo trimestre de 2015 foram essenciais para que as empresas do setor elétrico brasileiro buscassem alternativas e elaborassem estratégias para superar o pico da crise hídrica, econômica e política.  Porém, uma estratégia bem montada ao longo de anos acaba por blindar projetos e resultados financeiros em momentos de crise como esse.

A EDP do Brasil é uma dessas empresas, que seguiu superando desafios através de um plano robusto e que vem sendo desenvolvido desde o início de suas operações no Brasil, isso há 20 anos. Aos poucos, a empresa se solidificou, alinhou suas operações e superou as constantes mudanças na política econômica do País. “Ao completar os 20 anos no Brasil, sendo que exatos 10 no mercado de capitais, para nós trata-se de um simbolismo especialmente quando comparamos nossos números de 2005 e chegamos aos indicadores de uma perspectiva de longo prazo em 100%”, disse o presidente da EDP Brasil, Miguel Setas.

A clareza estratégica e mantendo o foco como comprador, a companhia seguiu avançando nos negócios de geração hídrica, térmica (com as melhores tecnologias e know-how europeu) e na distribuição de energia elétrica.

O comprometimento da EDP em gerir seus projetos, em linha com os recursos para os investimentos e seguindo cronogramas sem atrasos, pode ser visto nos resultados financeiros, em especial os desse ano, com a compra da Usina Termelétrica de Pecém I, localizada no Ceará e com capacidade adquirida de 360 MW.

O turnaround de Pecém I foi o grande negócio na estratégia montada pela EDP, o desembolso de R$300 milhões (50%), a usina foi a grande responsável pelo lucro do segundo trimestre, R$743,9 milhões. “Tivemos investimento baixo e agora o retorno, com isso, vamos ter ainda mais melhorias operacionais e mantendo o que consideramos sucesso para nossos negócios: qualidade”, pontuou Setas, que não escondeu a determinação de seguir aplicando recursos em projetos bem estudados. “Para isso, estamos com equipes muito bem preparadas para buscar projetos dentro de nossa capacidade e, principalmente, quando enxergamos retornos interessantes para a empresa e para nossos consumidores.”

O impacto dessa aquisição representou R$885 milhões no lucro antes de juros, imposto, depreciação e amortização. “Pecém foi um dos momentos centrais do trimestre”, avaliou o presidente da EDP. O índice de disponibilidade acumulado é de 88% e Ebitda de R$142 milhões no primeiro semestre desse ano.

Outra aquisição que também impactou positivamente no resultado da empresa foi da APS Soluções (R$27 milhões), empresa com 23 anos de experiência no mercado de eficiência energética. “Atualmente a APS está com valor de mercado em torno de R$1,9 milhão no Brasil. Mas ainda dependemos da aprovação do Cade. A partir daí, a APS vai agregar mais capacidade à EDP Grid e permitir crescimento mais rápido”, explicou.

Para seguir enumerando os avanços da empresa, a venda da Pantanal Energética, com a UHE Minoso e PCH Paraíso, no Mato Grosso do Sul. A capacidade instalada era de 51 MW e energia assegurada de 31,5 MW. O valor da venda foi de R$390 milhões, montante que contribuiu para a aquisição de Pecém.

Depois de compor capital para essas aquisições, a EDP Brasil segue com estimativa de antecipar em seis meses a conclusão da obra da usina hidrelétrica de Cachoeira Caldeirão (219 MW e garantia física de 129,7 MW médios), localizada no Amapá. Até agora são 84,8% da obra executada e com projeção de entrega de energia a partir de janeiro de 2017, uma antecipação de 12 meses. “Valeu um ano de resultado do teto do PLD em R$380,00 MW/hora”, comemorou Setas. O Capex de 74% foi realizado em junho desse ano.

Para outra usina de médio porte, UHE São Manoel (700 MW e garantia física de 409,5 MW médios), localizada no Mato Grosso, as obras já estão com 14,6% em execução, considerando que a entrega da energia gerada por São Manoel está prevista para maio de 2018. Capex de 19% realizado em junho também desse ano

Como base de comparação da cautela dos gestores da EDP, com as obras e a rigorosidade em cumprimento prazos de conclusão, a antecipação em três meses na usina de Santo Antônio do Jari (373 MW), puxou para cima os ganhos da empresa em R$170 milhões no ano passado. Pouco mais de três meses e meio de antecipação de Jari valeu por um ano de resultado da usina, também com o preço do PLD que chegou aos R$822,00 em 2014.

As conquistas não ocorreram apenas no parque gerador, mas também na eficiência operacional de suas distribuidoras, a Bandeirante, no Vale do Paraíba (SP), e Ecelsa, no Espírito Santo. “Melhoramos a qualidade de serviços, reduzimos as perdas, principalmente com furtos em 10,62%, traçando como comparativo o ano de 2009, cujas perdas eram da ordem de 20%. Ficamos sem interrupção de 12 horas/ano, esse cenário na área de atuação da Bandeirante. Já no Espírito Santo enfrentamos outra realidade, com perdas em torno dos 15%, com o consumo clandestino”, explicou o presidente da EDP. Neste primeiro semestre houve aumento da inadimplência com as tarifas elevadas, o que fez a empresa adotar medidas para mitigar as perdas.

Ao resumir as metas, Miguel Setas, fez questão de reafirmar que a empresa seguirá avaliando os riscos cuidadosamente de todos os projetos, principalmente no cumprimento de cronogramas e sempre com empreendimentos abaixo de 1.000 MW. “Vocês não vão ver a EDP participando de usina de grande porte. São riscos que a empresa não está preparada para gerir. Esse nosso modelo de gestão foi reconhecido pela Aneel. Agora, nosso foco para 2017 e 2018 é de concluir obras contratadas”, considerou Setas, sem esconder que “existem sempre usinas em construção no radar.” Como exemplo citou Pecém I, movida a carvão, mas deixou claro que a matéria prima saiu dos planos no Brasil e dará lugar ao gás natural.

Mercado de capitais

Diante desse retrato dos negócios gerados pela EDP Brasil, a resposta vem quase que diariamente no comportamento dos papéis na Bolsa de Valores de São Paulo. As ações da EDP Brasil ON seguem variações entre 2% e 3% quase que diariamente aos preços entre R$14,00 e R$19,00. No ano, a valorização gira em torno de 42%

Sobre o temor do dólar, a empresa não tem dívidas em dólar, já que todos os contratos de financiamento estão cobertos pelo risco cambial. “Pecém I, por exemplo, tem dois terços [R$2 bilhões] em reais e pouco mais de 1% em dólar. O que para nós tem efeito neutro a valorização do câmbio”, afirmou o presidente da EDP.

Para os investimentos no País, diante da crise que se instalou em nossa economia, Miguel Setas, muda o tom. “Nós temos projetos e a EDP acompanha os momentos mais eufóricos e mais deprimidos, com essa visão no horizonte de longo prazo. Como presidente desta empresa, nossa expectativa para Brasil não mudaram e para este momento é preciso prudência. Mas seguiremos investindo e acreditando na recuperação. Nosso foco não mudou e quando um projeto for sólido, que traga benefícios para a empresa, para nossos consumidores e, principalmente para o País, claro que estaremos prontos a participar”, finalizou Miguel Setas.

Se neste momento frágil que o Brasil atravessa, com questões econômicas e políticas, além da pior crise hídrica em 100 anos, alguém tem dúvida de que uma boa gestão, pautada em realidade, com prazos e obras que cabem no bolso, de que os portugueses da EDP Brasil são mesmo visionários e bons gestores? Eu não!

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