EXCLUSIVO: Novas tecnologias para refinarias contribuem para eficiência no setor petroleiro

"No atual ambiente de mercado, existe um enorme interesse na otimização de ativos, incluindo todas as novas fontes de energia"

Sean Arnold - VP Aspen Tech

Há pouco menos de 10 anos, o preço do petróleo girava em torno dos US$103,00 o barril, valor apetitoso para os grandes produtores inseridos na Organização dos Países Exportadores de Petróleo – OPEP e também para os não-organização.

O grande poder do “ouro negro”, ao poucos, foi sendo diluído com o volume de oferta global dos produtores, novas pesquisas que permitiram a descoberta de novos combustíveis, em especial o gás de xisto nos Estados Unidos e o nosso pré-sal. Um processo que segue avançando e forçando os preços para baixo, atualmente não mais de US$45,00 o barril.

As mudanças econômicas ao redor do mundo também contribuem para o excesso de oferta e queda na utilização. Em paralelo, a extração de petróleo tende a aumentar ainda mais com a suspensão gradual de embargos comerciais para dois países produtores, o Irã e o Iraque.

Recentemente o Irã, que era o segundo maior produtor na Opep em 2012, se posicionou com o aumento na produção em 1 milhão de barris por dia e recuperar quota de mercado depois que as sanções foram levantadas. Aliás, esse será um dos temas da reunião da Opep no dia 17 de abril em Doha, entre os membros e outros grandes produtores.

Neste contexto, a esperança de que o petróleo siga a trajetória como a principal commoditie do mundo está depositada nas importações da China, que segue no processo de desaceleração econômica sinalizada em 20% entre os meses de dezembro do ano passado e o último janeiro, o mais baixo em três meses, como as refinarias estatais desacelerando as operações em meio inchaço estoques de combustível.

A China em janeiro cortou as importações em 4,6%, se comparado com um ano atrás. O volume  foi para 26.69 milhões de toneladas, ou cerca de 6,3 milhões de barris por dia, segundo dados preliminares divulgados recentemente pela Administração Geral das Alfândegas, em Pequim.

Por outro lado, um novo cenário está sendo desvendado no setor petrolífero e poderá ser a mola propulsora: tecnologias eficientes para as refinarias.

Para tratar desse tema, o Setor Energético foi buscar o executivo de vendas da Aspen Tech para a América Latina, Sean Arnold.

SETOR ENERGÉTICO – Estudos recentes revelaram que o óleo é um bem finito. Como resultado, vários países partiram para pesquisas em busca de novas alternativas. Essa busca acabou gerando uma grande oferta e uma forte queda nos preços. Em sua opinião, qual seria o contraponto disso?

SEAN ARNOLD – A indústria de petróleo e gás tem testemunhado mudanças significativas de diminuição no preço do barril e elevação da competitividade de mercado. É improvável que o ciclo de altos e baixos preços mude e novas fontes de energia, como a mais recente experiência norte-americana de gás de xisto demonstra, perturba e desloca a indústria em uma escala global. Para sobreviver neste ambiente de rápida mudança, as empresas precisam ser mais eficientes e capazes de se adaptar rapidamente. Otimização não é mais uma opção, é uma necessidade.

O passado nos diz para mudar e inovação é a norma. O desafio, e a oportunidade, é a utilização de soluções de tecnologia de ponta para gerir a volatilidade da indústria e reduzir o risco em bons mercados bem como em tempos mais difíceis.

SE  Qual seria a alternativa viável para o uso de uma tecnologia mais eficiente em termos de pré-sal? Você enxerga essa possibilidade?

SA – Muitos dos novos recursos energéticos estão em áreas de fronteira que são de alto risco e alto custo. Como as empresas avaliam o ROI (retorno sobre investimento) de exploração e produção nessas áreas, elas também têm que lidar hoje em dia com a rápida mudança dos preços de matérias-primas e energia, mudando os padrões de demanda do produto. Suposições sobre negócios anteriores estão sendo reavaliadas devido à súbita e prolongada queda dos preços do petróleo.

A resposta das empresas em todos os segmentos do negócio de energia, desde a exploração e produção ao processamento de gás e refino de petróleo, tem sido a de concentrar-se na melhoria do desempenho e programas de redução de custos. Os nossos clientes estão interessados ​​em aproveitar o melhor uso de seus ativos existentes, reduzir o tempo de inatividade e otimizar os custos das operações, mantendo a qualidade e o rendimento do produto, garantindo segurança e em conformidade com as normas ambientais. O futuro é impossível prever, mas operações geograficamente dispersas continuarão a ocorrer em um ambiente de produção mais complexo e caro em que os projetos de curto prazo exigem retorno de investimento mais rápido.

SE – Como o Brasil poderia melhorar a eficiência energética?

SA – Gestão de energia, como grande parte da nossa indústria, é complexa e requer uma abordagem integrada para dar conta de múltiplas variáveis ​​e objetivos econômicos diferentes, a fim de equilibrar as despesas de capital com custos operacionais. O processo da indústria de transformação tem várias maneiras de tornar sua energia mais eficiente: as empresas podem investir capital próprio e/ou podem executar os ativos existentes de forma mais eficiente. É a combinação destes dois fatores que irá reduzir os custos de energia e reduzir gases de efeito estufa ou de carbono, especificamente.

A eficiência energética é um componente chave da rentabilidade e da excelência operacional. A partir da utilização de nossas soluções, é possível obter uma economia significativa nos custos de energia, geralmente na faixa de 30%. Refinarias gastam entre 50% e 58% dos custos de não-matéria-prima em energia; fábricas de produtos químicos, entre 40% e 45%. A ajudamos as empresas a gerenciarem o custo da energia como parte das operações globais de processos de hidrocarboneto – desde a concepção de processos eficientes de energia até operá-los com circuito fechado de controle em tempo real. Empresas upstream se concentram mais na otimização de energia no que se refere ao menor uso no processo de produção para que eles tenham mais para vender. No entanto, em certas empresas de E & P, como a produção de óleo pesado, onde é gerado vapor para aquecer o óleo para ajudar a fluir, desafios de otimização de energia são muito semelhantes aos de refinaria.

SE Você acredita que em curto prazo as refinarias serão obrigadas mesmo a reduzir a produção?

SA – Diferentes empresas tomam decisões de produção com base nas condições de mercado. O que a AspenTech, no papel de fornecedora líder de software que otimiza o processo de fabricação em setores como de energia, produtos químicos, engenharia e construção e outras indústrias que fabricam e produzem produtos a partir de um processo químico, ajuda empresas como a Dow Chemical, a Shell e a Petrobras a construir e executar eficientemente suas fábricas e administrar suas cadeias de suprimentos.

SE – Qual o peso de um software um planejamento e decisões rápidas?

SA – Completar a lacuna entre planejamento estratégico e programação é crucial para a viabilidade e competitividade hoje em dia. O objetivo do planejamento e programação de software é ajudar as empresas a alcançar maior coerência e previsibilidade, mantendo metas de estoque e produção. O software integrado ajuda a capacitar os engenheiros na tomada de melhores decisões para o planejamento, a abordar matérias-primas, ter eficiência operacional, otimização de energia e análise de segurança.

Refinarias no Brasil e em outros lugares estão reformulando plantas para aumentar a rentabilidade através da criação de produtos de maior valor destilados e aumentando a capacidade do processo para receber volumes de petróleo mais pesadas. Elas estão aproveitando a demanda do mercado interno dos produtos refinados, bem como a disponibilidade de petróleo bruto mais barato. É  neste contexto que a AspenTech contribui para ajudar a determinar que tipos de petróleo cru serão mais rentáveis para serem executados com ferramentas de planejamento que ajudam os nossos clientes a tomar decisões mais rápidas e mais rentáveis.

A disponibilidade de novos crus e matérias-primas no mercado levanta uma série de perguntas. Por exemplo, qual é a maneira mais eficaz de gerenciar uma lista de petróleo bruto complexo com capacidade limitada de armazenamento? Que crus irá produzir os produtos mais rentáveis? Com opções vem complexidade, e as decisões tornam-se muito mais difíceis. Como o preço dos crus mudam, essas refinarias familiarizadas com o funcionamento dos tipos “sujos” talvez tenham que alterar as suas operações caso tipos de crus mais leves, mais doces, sejam menos caros. Detectar ofertas de crus também poderia facilitar a consideração da compra pela refinaria. O software de planejamento tem que ser ágil o suficiente para determinar se o cru é adequado e alterar o plano para acomodar a nova matéria-prima.

Excelência operacional é um processo multidisciplinar e colaborativo que consiste em planejamento, programação, análise, controle, comunicação e maximização do desempenho dos ativos das plantas para atender os objetivos de negócios. As refinarias devem desenvolver planos que atendam a demanda do cliente, além de lidar com as mudanças na oferta e as especificações do produto. A volatilidade dos preços do petróleo coloca pressões sobre a operação para permanecer rentável. Planejamento e programação de software auxilia todos estes objetivos.

SE Em sua opinião, o que seria um passo importante para alcançar a eficiência energética em curto prazo?

SA – Há uma pressão crescente nos fabricantes para reduzir o uso de energia e de emissões e aumentar a rentabilidade. Até 30% dos bens de equipamento impacta cerca de 90% da energia utilizada na maioria dos processos de refino de petróleo e petroquímicos. É possível alcançar economia maior usando o software de análise e desenho apropriado ao lado de tecnologias de poupança de energia adequados. Esta estratégia otimiza o desempenho econômico através da eficiência de produção utilizando uma energia recuperada. A primeira etapa para as empresas é padronizar uma solução de software integrado que ajuda a otimizar o gerenciamento de energia, juntamente com outros objetivos de sustentabilidade empresarial.

SE  Você acha que está havendo uma precipitação nas questões da produção de petróleo e o temor quanto à falta dele?

SA – É difícil avaliar se os medos atuais são bem fundamentados. Uma certeza é que a inovação tecnológica está afetando as indústrias de petróleo, gás e produtos químicos em todo o mundo. Um exemplo de inovação tecnológica no setor de energia é a rigorosa simulação dinâmica, que empresas líderes globais do mundo todo estão usando para ajudar a alcançar seus objetivos de excelência operacional.

O principal benefício da simulação dinâmica é o conhecimento mais profundo proporcionado pelo processo como resultado de melhorias no design de controle do sistema, operações da planta e formação de pessoal. Ele permite a verificação do tamanho apropriado de equipamento usado para determinar limitações de concepção que cobrem a operação normal da planta. Como ela passa por muitas modificações durante a sua vida útil, a simulação dinâmica proporciona um meio de avaliação contínua da operacionalidade da solução de design de planta proposto.

Os benefícios incluem avaliação das instalações fabris existentes para verificar se eles podem acomodar uma nova produção segura. A obtenção de uma compreensão realista do comportamento das plantas garante que a poupança máxima seja alcançada enquanto permite que as empresas se adaptem às novas realidades do mercado.

SE – Como você avalia as fontes de energia limpa que estão surgindo ao redor do mundo?

SA – No atual ambiente de mercado, existe um enorme interesse na otimização de ativos, incluindo todas as novas fontes de energia. Por exemplo, os preços baixos gás natural e LGN forçaram muitos produtores de gás a alargar as margens, reduzindo os custos operacionais e melhorando a eficiência.

Do ponto de vista de nossos clientes, fontes de energia novas e limpas são qualificadas por uma avaliação do ROI, a longo prazo, que inclui muitos, muitos fatores complexos. Em relação às despesas de capital (Capex), necessários para avaliar novas fontes de energia limpa, a capacidade de avaliar facilmente projetos de investimento de capital mais rápido, no início do processo de design e com melhores ferramentas de análise, ajuda os engenheiros a entender as implicações econômicas e a tomar decisões. A indústria da energia é complexa, no upstream, midstream e downstream. As empresas em todos estes setores usam tecnologia avançada para permitir a otimização multidimensional para apoiar simultaneamente rentabilidade, segurança, controlabilidade de capital e eficiência energética.

A AspenTech tem conhecimento no que se refere à otimização de processos nos diversos segmentos do setor de energia. Os produtos representam o padrão para a indústria em otimização de processos, ajudando mais de 150.000 usuários em mais de 1.750 empresas a impulsionar a lucratividade mais rápido e mais eficiente.

A AspenTech integra e otimiza as operações de engenharia, fabricação e cadeia de suprimento, garantindo que cada passo da produção de energia seja projetado para a máxima eficiência.

 

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