Líder da OMS vai de Genebra e Paris de bicicleta para falar sobre saúde

Estimativa é de que o custo gerado pelos danos diretos para a saúde fique entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões ao ano até 2030

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O líder da equipe de mudanças climáticas e saúde da Organização Mundial de Saúde, Diarmid Campbell-Lendrum, pedalou de Genebra a Paris para participar da 2ª Conferência Global sobre Clima e Saúde – evento que reuniu 300 representantes de governos, além do Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, e profissionais de saúde e especialistas em clima. Durante o percurso, ele postou no blog “Bike the Talk” sobre os temas do encontro, usando a viagem como base para mostrar como eles se relacionam com questões de saúde do dia a dia das pessoas – de atividade física à nutrição, da qualidade do ar à segurança rodoviária. “Há vários anos a OMS tem dito que a caminhada e o ciclismo são bons para a saúde e para o planeta. Andar de bicicleta para a conferência é a minha maneira de demonstrar apoio a essa recomendação”, declarou.

A principal causa das mudanças climáticas – a poluição – ceifa cerca de 7 milhões de vida por ano em decorrência de doenças como câncer de pulmão e acidente vascular cerebral. O mais recente relatório sobre qualidade do ar e energia da Agência Internacional de Energia (IEA), elaborado com base em novos dados para as emissões de poluentes em 2016, mostra que a maior parte da poluição vem do setor de energia, principalmente da queima de combustíveis fósseis.

Mas eventos provocados pelas mudanças climáticas também estão levando a milhões de mortes. Entre as consequências de maior impacto sobre a saúde estão a maior frequência de epidemias como a cólera, o alcance mais amplo de doenças como a dengue e eventos climáticos extremos, como ondas de calor e inundações.

Especialistas preveem que, em 2030, as mudanças climáticas serão responsáveis por outras 250 mil mortes por ano decorrentes da malária, de doenças diarreicas, do estresse térmico e da desnutrição. A carga mais pesada deve recair sobre crianças, mulheres, idosos e os pobres, agravando as desigualdades existentes na saúde dentro das populações. O custo gerado pelos danos diretos para a saúde (ou seja, excluindo os custos em setores determinantes para a saúde, tais como a agricultura, água e saneamento), é estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões ao ano até 2030.

Em resposta às fortes evidências científicas dos riscos à saúde apresentados pelas mudanças climáticas, os participantes da Conferência emitiram uma advertência clara de que sem mitigação e adaptação adequadas, o aquecimento global apresenta riscos inaceitáveis ​​para a saúde pública global. As conclusões do encontro incluem uma agenda de ação com três grandes objetivos:

O primeiro é aumentar a resiliência da saúde aos riscos climáticos, incluindo a garantia de acesso a fontes de energia seguras, limpas e sustentáveis. Esse ponto gera é importante para reduzir o elevado número de mortes causadas pela poluição do ar.

O segundo objetivo é assegurar apoio para ações de saúde e clima, ou seja, desenvolver de uma nova abordagem que vincule saúde e alterações climáticas. Isso favorece um maior financiamento em mudanças climáticas e saúde, o envolvimento da comunidade de saúde e da sociedade civil na comunicação e prevenção de riscos climáticos e um melhor aproveitamento das oportunidades.

O terceiro objetivo é conseguir mensurar o progresso que os países estão fazendo para proteger a saúde das alterações climáticas.

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