Lucro da Petrobras fica em R$5,9 bilhões no primeiro semestre

Reflexos dos desvios seguem puxando resultados da estatal brasileira

Vendendo ativos

A Petrobras divulgou nesta quinta-feira o balanço financeiro referente ao primeiro semestre desse ano e também do segundo trimestre.

No semestre, o lucro líquido de R$ 5,9 bilhões, 43% inferior ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete, principalmente, o aumento das despesas financeiras líquidas e o reconhecimento de despesa tributária de IOF em transações de mútuo (empréstimos entre empresas do Sistema Petrobras).

O lucro operacional foi de R$ 22,8 bilhões, 39% superior ao do 1º semestre do ano passado. O principal fator que contribuiu para este crescimento foi a maior margem na comercialização de derivados. O Ebitda ajustado do semestre foi de R$ 41,3 bilhões, um aumento de 35% em relação ao 1º semestre do ano anterior. O fluxo de caixa livre foi positivo em R$ 4,5 bilhões ante R$ -15,8 bilhões no 1S14. Os investimentos totalizaram R$ 36,2 bilhões, 13% abaixo do 1º semestre de 2014.

O segmento de Exploração e Produção no Brasil concentrou 78% dos recursos. Em dólares os investimentos atingiram US$ 12 bilhões, 33% abaixo do mesmo semestre do ano passado (US$ 18,1 bilhões).

O presidente da estatal, Aldemir Bendine, destacou que a taxa de câmbio, R$3,10, com uma das principais variáveis sobre o impacto no resultado financeiro e também o preço do Brent. “Pelo menos 80% da dívida está e moeda estrangeira e o Brent segue em queda de 47%, com a média de US$ 58,00 o barril, essa queda foi agressiva nos gastos da companhia”, disse

Bendine disse também que, dadas as condições de mercado, não há perspectiva de aumento nos preços dos combustíveis, mas não descartou uma elevação caso mudem as condições. “Não posso fazer futurologia sobre o preço”, disparou.

Sobre 2015, o executivo destacou que ainda é um ano de ajustes para a Petrobras. “Queremos deixar a companhia saneada, com seus passivos e tudo que tem de enfrentar”, disse.

Segundo trimestre de 2015

No 2º trimestre de 2015, o lucro líquido foi de R$ 531 milhões – O resultado líquido foi 90% inferior ao do 1º trimestre de 2015, refletindo as maiores despesas operacionais que compensaram o aumento do lucro bruto.

O resultado operacional atingiu R$ 9,5 bilhões, 29% menor que o do trimestre passado, em função do reconhecimento de despesa tributária de IOF (R$ 3,1 bilhões) e do impairment de ativos (R$ 1,3 bilhão) devido à postergação, retirada e alteração de escopo de projetos de acordo com as novas premissas do Plano de Negócios e Gestão 2015-2019.

Estes fatores contrabalançaram o maior lucro bruto, fruto do crescimento das vendas no mercado interno e das exportações de petróleo e derivados, bem como os recebimentos de valores repatriados pelo Ministério Público Federal na Operação Lava Jato (R$ 157 milhões) e do seguro pelo incidente ocorrido no campo de Chinook, nos EUA, em 2011 (R$ 259 milhões). A geração de caixa operacional medida pelo EBITDA ajustado reduziu 8%, somando R$ 19,8 bilhões.

O resultado financeiro líquido ocorrido no 2º trimestre foi negativo em R$ 6,0 bilhões, representando uma despesa adicional de R$ 427 milhões em relação ao 1º trimestre do ano, notadamente pelo reconhecimento de juros sobre despesa de IOF e pelo aumento do endividamento.

Investimentos

A realização dos investimentos no 1º semestre de 2015 foi de R$ 36,2 bilhões, 13% inferior à do 1º semestre de 2014. O foco dos investimentos foi o segmento de Exploração e Produção no Brasil, que concentrou 78% dos recursos, com destaque para os projetos de aumento da capacidade produtiva.

Os investimentos no segmento de Abastecimento recuaram 60% em relação ao mesmo período do ano passado, em virtude da conclusão de projetos de modernização das refinarias existentes e da primeira fase (1º trem) da Refinaria Abreu e Lima (RNEST).

Endividamento

Em 30.06.2015, o endividamento líquido da companhia aumentou 15% em relação a
31.12.2014. O principal fator para este crescimento foi o impacto da depreciação cambial sobre financiamentos. O índice de Dívida Líquida/LTM EBITDA ajustado fechou o período em 4,64 vezes e a alavancagem (Endividamento Líquido / (Endividamento Líquido + Patrimônio Líquido)) em 51%.

A Petrobras recebeu R$ 157 milhões referentes a valores repatriados na Operação Lava Jato.

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