Recorde na geração de biomassa em 10 mil MW nesta segunda-feira, mostra Unica

Apesar da conquista, expansão da bioeletricidade da cana ainda é um ponto de atenção para o setor sucroenergético

Operação em discussão

A biomassa sucroenergética (energia limpa e renovável, produzida a partir dos resíduos da cana-de-açúcar, como o bagaço e a palha), terceira fonte mais importante da matriz de energia elétrica do Brasil em termos de capacidade instalada, alcançou mais um grande feito nesta segunda-feira (25): atingiu o marco de 10 mil MW em potência efetivamente fiscalizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Atrás apenas das fontes hídrica e gás natural, a biomassa da cana representa 7% da matriz energética brasileira, sendo quase 2,5 vezes superior à capacidade instalada pelas termelétricas à base de óleo combustível e de diesel e a aproximadamente três vezes ao parque gerador à base do carvão mineral.

Para Zilmar de Souza, gerente em Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), isso representa a importância da biomassa para o setor elétrico e também para a sustentabilidade da matriz de energia elétrica. “No fim do ano, durante a COP-21 em Paris, enquanto os países discutirão como lidar com as mudanças climáticas, a bioeletricidade sucroenergética mostra, na prática, como contribuir para garantir o suprimento energético com sustentabilidade. Trata-se de um grande estudo de caso de sucesso brasileiro”, comenta Souza.

Segundo o representante da UNICA, em 2014, somente o volume de exportação de bioeletricidade para o sistema elétrico brasileiro, sem considerar a energia elétrica gerada para o autoconsumo, evitou a emissão de mais de 8 milhões de toneladas de CO2,outro marco importante da biomassa.

Cautela na expansão da bioeletricidade da cana na matriz

Embora tenha atingido 10 mil MW em capacidade instalada, a expansão da bioeletricidade da cana ainda é um ponto de atenção para o setor sucroenergético. Em 2010, de acordo com a ANEEL, a fonte chegou a instalar 1.750 MW, equivalente a 12,5% de uma usina Itaipu. Todavia, em 2015, a previsão é que a biomassa seja responsável pelo acréscimo de apenas 633 MW, ou seja, 36% do que foi instalado em 2010, mostrando que a fonte poderia ter um papel atual ainda mais relevante na matriz de energia elétrica, caso tivesse ocorrido uma continuidade em sua expansão anual.

Para Souza, é necessário evitar uma política do tipo stop and go (ou go and stop) e promover de uma vez a definição de uma agenda positiva clara, estável e estimulante de longo prazo para o setor sucroenergético. “Mantendo-se o movimento de melhora de preço nos leilões regulados, que estamos observando ultimamente, e das condições institucionais no setor elétrico, a fonte biomassa da cana já mostrou que tem potencial para aprofundar seu papel como uma das soluções na garantia do suprimento energético e da sustentabilidade da matriz elétrica brasileira”, conclui o gerente da UNICA.

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