UE pede que Brasil e Colômbia contribuam para a Cúpula do Clima de Paris

Corte de emissões poluentes será apresentado na Cúpula da ONU no final de ano em Paris

Redução de emissão

A União Europeia (UE) pediu nesta quinta-feira ao Brasil e à Colômbia que apresentem nas próximas semanas contribuição de corte de emissões poluentes para a Cúpula da ONU no final de ano em Paris.

“Esperamos que economias emergentes como o Brasil, Colômbia e Indonésia façam suas propostas nas próximas semanas”, disse o comissário europeu de Ação pelo Clima, o espanhol Miguel Arias Cañete, ao término de um encontro informal de ministros do Meio Ambiente da UE realizado em Luxemburgo.

“A UE encoraja todas as demais partes para que ponham suas decisões sobre a mesa sem atrasos”, continuou.

Segundo Cañete, o progresso nas negociações para conseguir um acordo mundial contra a mudança climática em Paris depende do fato de ser superado “o confronto histórico” entre países desenvolvidos e em desenvolvimento que refletem as negociações desde 1991, porque “todos os países tem que contribuir na média que puderem”.

O comissário avaliou o avanço conseguido desde que foi assinado o Protocolo de Kioto, quando os compromissos ambientais que os países signatários assumiram só cobriam 13% da emissões globais.

Agora, por outro lado, já são oferecidos compromissos um total de 46 países, que cobrem 57% das emissões globais.

No entanto, Cañete reconheceu que “o progresso é muito lento nas negociações técnicas”, embora acredite que o impulso político existente permita fechar um acordo em Paris.

O titular comunitário explicou também que as propostas da UE estão se situando no centro das discussões, especialmente a proposta para um objetivo a longo prazo, a natureza dinâmica do acordo (a revisão a cada cinco anos) e a necessidade de contar com regras de transparência muito importantes”.

Neste contexto, o comissário precisou que o bloco comunitário quer um objetivo a longo prazo de redução de 60% dos gases do efeito estufa para 2050, em comparação com os níveis de 2010, em linha com os compromissos contraídos pelo G7.

“No entanto, restam diferenças substanciais sobre como fazer estes elementos serem operacionais e ainda resta muito trabalho pela frente para chega a um acordo”, admitiu.

“Esperamos que quando formos a Paris, haja muitos países e, o que é mais importante, um número muito elevado de emissões cobertas pelas contribuições sobre a mesa”, acrescentou.

Por sua parte, o secretário de Estado espanhol de Meio ambiente, Pablo Saavedra, sustentou nesta reunião que “todos os países devemos estar dispostos a adotar um protocolo global de luta contra a mudança climática ambicioso, flexível, dinâmico; com regras comuns, claras e robustas”.

Também considerou que esse protocolo tem que transmitir “à comunidade internacional que a descarbonização das economias não tem marcha ré”, segundo um comunicado do Ministério de Meio ambiente espanhol.

Saavedra defendeu também que a UE tem que manter a ambição até a cúpula de Paris de dezembro e “dar visibilidade aos esforços que já está realizando”.

Entre eles, o espanhol se referiu ao apoio que a UE e os Estados-membros dão ao processo de desenvolvimento das contribuições previstas e determinadas em nível nacional (INDCs) e os recursos comprometidos para o Fundo Verde para o Clima.

Além disso, Saavedra lembrou que a UE e seus Estados-membros são os principais doadores em financiamento climática.

O representante espanhol também ressaltou em seu discurso as medidas já impulsionadas pela Espanha como a iniciada de um fundo de carbono para promover as reduções de emissões em setores não-sujeitos ao Sistema de Comércio de Emissões (ETS), como a agricultura, o transporte e a gestão de resíduos.

“Este fundo permite adquirir as reduções de emissões geradas por projetos nacionais, os denominados Projetos Clima, que em três convocações nos permitiu ter já mais de 100 projetos de redução de emissões”, explicou Saavedra.

A quarta convocação, dotada com 15 milhões de euros, foi lançada em fevereiro deste ano.

Por sua vez, a ministra luxemburguesa do Meio Ambiente, Carole Dieschbourg, cujo país preside a UE neste semestre, recalcou que “está acabando o tempo” para ir concretizando as negociações antes da Cúpula de Paris, ao mesmo tempo que disse esperar que em outubro seja possível contar com um texto que recolha as principais propostas.
Com Ag.EFE

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