Urânio em poço de Lagoa Real tem origem natural, mostra INB

Atividades da empresa na região contam com licenciamento ambiental pelo IBAMA e licenciamento nuclear pela CNEN

Urânio e as reservas

As Indústrias Nucleares do Brasil – INB, a Secretaria de Meio Ambiente da Bahia e até mesmo o representante do Movimento Paulo Jackson afirmaram durante audiência realizada essa semana pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, em Brasília, que a presença de urânio na água do poço situado na propriedade de Osvaldo Antônio de Jesus, em Lagoa Real, na Bahia, é natural e não foi causada pelas atividades da empresa.

O representante da INB, Pedro Luís dos Santos Dias, esclareceu durante a audiência que os exames foram feitos a pedido de Osvaldo, e que o poço não está na área de influência da unidade da INB: “Com a análise que nós fizemos podemos afirmar que a ocorrência é natural”.

Dias explicou como são as atividades da empresa na região, que possui licenciamento ambiental concedido pelo IBAMA e licenciamento nuclear, pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). “Para mantermos essas licenças e autorizações é necessário cumprir programas como monitoramento ambiental, recuperação de áreas degradadas, gerenciamento de resíduos sólidos e medidas relacionadas à atmosfera”, explicou.

O secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Eugênio Spengler, enfatizou que todas as condicionantes e normas de licenciamento ambiental são cumpridas pela INB. “Os resíduos de urânio encontrados no poço não são fruto de ação da indústria. Os resíduos encontrados são da natureza”, declarou, lembrando que a região é uma província uranífera: “O urânio está lá, está naquele solo, naquela rocha, é natural que ocorra a presença de urânio na água”.

O coordenador geral de Mineração do IBAMA, Jonatas Trindade, disse que de acordo com as análises feitas pelo órgão não existem, até o momento, elementos que indiquem o descumprimento de condicionante da licença de operação da unidade da empresa em Caetité. Sobre a área de influência da unidade de mineração ele esclareceu: “A área de influência do empreendimento para o meio físico, considerando as bacias hidrográficas, chega a um raio de dez quilômetros, conforme estudo ambiental”, acrescentando que a distância entre o poço e a unidade de mineração é de 16 km em linha reta”. O coordenador do IBAMA sugeriu ainda que a INB tenha uma comunicação com a comunidade “mais formalizada, porque a falta de formalidade gera um problema sério de ‘disse-não-disse’”.

O dirigente sindical Lucas Mendonça dos Santos, que representou a ONG Movimento Paulo Jackson na audiência, também afirmou acreditar que as atividades da INB não são responsáveis pela presença de urânio no poço de Osvaldo. “A INB já mostrou que são bacias diferentes, então dificilmente a atividade da empresa terá contaminado esse poço específico”, disse. Mas ele colocou em dúvida a atuação do IBAMA e citou um relatório de um laboratório independente francês, Criirad, que teria apontado, segundo Lucas, que o “monitoramento ambiental é totalmente inconclusivo e precário”.

Sobre este assunto, Pedro Luís foi categórico: “Na INB, nós prezamos pelos órgãos devidamente constituídos. O relatório do Criirad, pelo parecer que temos conhecimento, este sim foi um relatório preliminar, inconclusivo e inconsistente. Nós temos que prezar o que é devidamente constituído”, finalizou.

“O que eu tenho para registrar é que o trabalho do IBAMA é sério e que ele analisa e acompanha a Unidade de Concentrado de Urânio da INB em Caetité”, afirmou o coordenador geral de Mineração do IBAMA, Jonatas Trindade.

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