Consumo de eletricidade na indústria recua 6,8% de janeiro a abril

Os números divulgados nesta segunda-feira pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelam que, em abril, o consumo industrial de eletricidade continuou refletindo a baixa atividade generalizada do setor. …

Setor e alimentos e o consumo

Os números divulgados nesta segunda-feira pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelam que, em abril, o consumo industrial de eletricidade continuou refletindo a baixa atividade generalizada do setor. A soma foi de 13.889 GWh, com recuo de 4,8% ante 2015. No acumulado do ano, o declínio atingiu 6,8%, enquanto que no acumulado de 12 meses, a queda foi de 6,2%.

Apesar dos indicadores industriais continuarem negativos, a retração de abril não foi tão intensa quanto as registradas nos dois últimos trimestres (média de -7,6%). Além do efeito estatístico associado à base baixa de abril de 2015, surpreendeu o aumento do consumo de Minas Gerais (+4,0%), o primeiro desde abril de 2015, que ajudou a suavizar a queda do Sudeste (-4,8%). Goiás (+12,1%) e Pará (+5,4%) também avançaram, o que se refletiu nos desempenhos do Centro-Oeste (+3,1%) e do Norte (+2,5%). Por outro lado, a região Nordeste (-12,6%) continuou exibindo os menores consumos mensais de sua série
histórica.

O ramo alimentício, segundo no ranking de consumo de eletricidade, sinalizou avanço (+1,1%) em abril. O crescimento do Mato Grosso do Sul (+4,0%), associado ao abate e preparação de aves e suínos e à produção de condimentos e óleos vegetais, foi um dos destaques no Centro-Oeste (+4,0%). No Sul (+1,7%), o estado do Paraná (+4,0%) progrediu no abate de aves e suínos, na fabricação de óleos vegetais e na moagem e produção de alimentos de origem vegetal. Já na indústria alimentícia nordestina (+0,1%), o maior aumento ficou por conta de Sergipe (+34,6%), devido, entre outros, à expansão da produção de sucos de frutas concentrados e da moagem e fabricação de produtos de origem vegetal.

A demanda por eletricidade no segmento de papel e celulose evoluiu 0,7% em abril, em linha com o crescimento das vendas de papelão ondulado (+0,83%) divulgado pela ABPO. Contribuíram para este resultado, a expansão no consumo de eletricidade observada no Paraná (+13,5%), associada ao aumento do consumo de eletricidade para a produção de papel e de embalagens de papel, e no Espírito Santo (+741,7%), que envolveu, no mês de abril, o maior consumo de energia da rede por parte de um cliente que normalmente faz uso de autoprodução.

O consumo do ramo metalúrgico, maior demandante de energia elétrica da indústria, recuou 1,7% em abril, ritmo de queda mais brando desde fevereiro de 2014. Minas Gerais, maior consumidor atual do segmento, exibiu o crescimento mais expressivo (+17,7%), impulsionado pela indústria de ferroligas. O avanço da metalurgia do alumínio e das ferroligas no Pará (+6,3%) junto com a expansão do consumo na metalurgia do níquel em Goiás (+57,0%) completaram o quadro de contribuições positivas.

No entanto, a queda da demanda em São Paulo (-13,1%), a maior entre os estados, foi consistente com os desempenho daquele estado na produção de aço bruto (-52,9%) e de semiacabados para vendas (-53,1%) sinalizados pelo Instituto Aço Brasil no mês.

O setor extrativo de minerais metálicos apresentou decréscimo de 10,8% em abril. A principal influência negativa foi na atividade de pelotização e sinterização de minério de ferro do Espírito Santo (-42,8%) que continuou, pelo sexto mês seguido, sofrendo os efeitos negativos do desastre ambiental de Mariana/MG. Apesar de o estado de Minas Gerais também ter sido impactado, algumas minas locais aumentaram a extração de minério de ferro em abril, o que tornou o declínio do estado (-8,3%) mais comedido em relação aos do primeiro trimestre do ano (média de –22,5%). A extração de minerais não-ferrosos em Goiás (+45,0%) e a extração de minério de ferro no Pará (+10,4%) e no Maranhão (+16,5%) estão entre os avanços do setor em abril.

A demanda de energia no segmento químico declinou 0,4% em abril, sustentado pela forte retração do Nordeste (-17,9%), em especial na produção de petroquímicos básicos na Bahia (-39,3%) e nos pólos cloroquímico e químico-plástico de Alagoas (-7,0%). Em contrapartida, Rio de Janeiro (+25,2%) e Minas Gerais (+26,5%) contribuíram para os avanços do Sudeste (+6,4%). O crescimento da indústria química mineira em abril está relacionado à fabricação de produtos inorgânicos, fertilizantes e gases industriais.

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