Presidente da Eletrobras fala sobre os efeitos da privatização da companhia em fórum da ADVB

Wilson Ferreira Júnior falou em evento para empresários convidados sobre a democratização do capital da companhia e sobre as medidas voltadas para o crescimento e para diminuir custos aos consumidores

Créditos: Fredy Uehara / Uehara Fotografia

Presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, palestrou sobre o processo de privatização da companhia para associados da ADVB, diversos empresários e autoridades na última quarta-feira (dia 18 de outubro) no Fórum de Temas Nacionais 2017, promovido pela ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, no Círculo Militar de São Paulo, na capital paulista.

Com o tema “O Sistema Elétrico Brasileiro e os Impactos da Privatização da Eletrobras”, Ferreira Júnior falou sobre o momento de reconstrução pelo qual a companhia está passando. “O setor tem um conjunto de desafios e o processo de evolução tem de ser feito para o bem da população, a fim de gerar soluções para esses problemas”, salientou. “Existem melhoramentos e o objetivo é criar uma corporação voltada para o crescimento e para não aumentar a conta de luz do brasileiro”.

Ele também traçou um perfil da companhia e falou sobre os planos para o próximo ano. “O Brasil tem 180 estatais e a Eletrobrás é uma das cinco maiores, além de ser a maior empresa de energia da América Latina”. Seu faturamento em 2016 foi de R$ 50 bilhões de reais. “Entre 2012 e 2016, a Eletrobras investiu R$ 30 bilhões em geração e pretende investir R$ 15 bilhões nos próximos quatro anos”, comentou.

O presidente da Eletrobras também falou sobre o impacto da MP 579/2012, de renovação de concessões para reduzir o preço da energia no Brasil, que acarretou uma perda de 20% da receita líquida da companhia. “A Eletrobras entrou em crise, acumulando um prejuízo de R$ 31 bilhões no período entre 2012 e 2015”. Segundo Ferreira Júnior, a empresa chegou à crise por uma série de fatores. “Governança e gestão ineficazes; fraqueza no balanço da companhia; mais da metade dos empreendimentos estão em atraso; taxas internas de retorno das SPEs abaixo do esperado do plano de negócios; baixa performance operacional e endividamento elevado”. Ele ainda ressaltou a que a dívida subiu 15% nos últimos dois anos.

A companhia está colocando em prática o programa “Desafio 21”, que traz uma série de medidas para mudar o cenário de crise da Eletrobras. Algumas das metas são implantar programa de compliance, eliminar fraquezas e ter reconhecimento externo, automação e modernização de sistemas, dentre outras. “75% dos gestores foram substituídos; reduzimos o número de 12 mil para 2,3 mil contratados com um custo de R$ 6 bilhões ao invés de R$ 10 bilhões; pretendemos também reduzir em 35% o programa de investimentos. Além disso, as principais obras caminham para a conclusão até o final de 2018”, confirmou, além de destacar os efeitos da privatização. “Tivemos R$ 2,4 bilhões a menos de custo”. A Eletrobras pretende também vender a participação de 77 de uma lista de 178 SPEs para reduzir custos e gerar maior valor com o negócio.

A estrutura da companhia após a privatização, segundo ele, será bem mais simples. “Ao longo de 14 meses centralizamos as operações em Brasília, implantamos novo código de ética e nova política de dividendos, além de implantar o plano de aposentadoria e, até novembro deste ano, vamos instituir o plano de demissão voluntária”, afirmou. Os resultados já são nítidos: “O valor de mercado da companhia já saiu de R$ 9 bilhões (de janeiro de 2016) para R$ 24 bilhões (em agosto de 2017)”.

 

0 acharam esta informação útil

0 não acharam esta informação útil

Assuntos desta notícia