Ratings de 1ºEmissão de Debêntures da Renova Eólica em Observação Negativa, diz Fitch

Agência deve reconsiderar a decisão logo depois do desembolso de R$ 45 milhões do BNDES seja recebido e os PPAs do certame A-3 de 2011

Índice para baixo

A Fitch Ratings colocou nesta segunda-feira os Ratings Nacionais de Longo Prazo da primeira emissão de debêntures da Renova Eólica Participações em Observação Negativa:

– 1ª série, no montante de BRL73,0 milhões, com vencimento em dezembro de 2025: ‘AA- (bra)’ (AA menos (bra)); Observação Negativa;
– 2ª série, no montante de BRL73,0 milhões, com vencimento em dezembro de 2025: ‘AA- (bra)’ (AA menos (bra)); Observação Negativa.

A agência de risco considerou a primeira emissão de debêntures em Observação Negativa refletindo o potencial impacto sobre os breakevens de produção de energia e a elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), em função do atraso no início dos contratos de comercialização de energia (PPA) dos parques que venderam energia no leilão de Energia Nova A-3 2011 (A-3 2011); e do não recebimento de uma parcela de aproximadamente R$ 45 milhões do financiamento contratado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O não recebimento do valor de R$ 45 milhões do BNDES está relacionado à comprovação de documentação que atesta a nacionalização de determinados equipamentos utilizados na construção do projeto. A menor liquidez disponível no projeto tem impacto imediato na capacidade de o projeto suportar choques operacionais ou a menor geração de energia.

De acordo com a Fitch, o principal impacto no atraso do início do PPA se refere à data de liberação da conta de reserva especial, no montante de R$ 60 milhões (2023). De acordo com a estrutura de dívida, a liberação da conta de reserva especial ocorrerá antes do segundo quadriênio do projeto, o último ao longo do prazo da emissão. Isto deve impactar os breakevens do projeto neste ano.

Observação Negativa

A Observação Negativa deverá ser resolvida tão logo o desembolso de R$ 45 milhões do BNDES seja recebido e os PPAs do certame A-3 de 2011 sejam iniciados. Desta forma, será possível entender o impacto destes eventos sobre os breakevens de produção de energia e o da elevação da TJLP. Caso os breakevens sejam inferiores a 11,0% do P90 médio, ou TJLP real de 4,5%, o rating poderá ser rebaixado.

Perfil do Projeto

A Renova Eólica é uma subholding, que detém 15 sociedades de propósito específico (SPEs) autorizadas por resoluções expedidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e estabelecidas como Produtores Independentes de Energia Elétrica, mediante a implantação e a exploração de uma central geradora eólica. A emissora é 100% controlada pela Renova, uma das principais empresas de energia renovável do país.

Os parques eólicos, denominados, em conjunto, Alto do Sertão II, estão localizados no interior da Bahia, nas cidades de Caetité, Guanambi e Igaporã, e totalizam 386,1 MW de capacidade instalada.

O montante de R$ 146 milhões obtido com a primeira emissão é parte das fontes do projeto, em conjunto com os financiamentos de longo prazo obtidos junto ao BNDES (direto e repasse), no valor de R$ 1,044 bilhão. As debêntures e os financiamentos do BNDES compartilham todas as garantias.

Performance do Projeto

Os seis parques eólicos que venderam energia no Leilão de Energia de Reserva em 2010 (LER 2010) iniciaram a operação comercial em outubro de 2014, e, desde então, vem gerando energia em linha com a certificação P-50.

Em março de 2015, quatro parques, do total de nove, do A-3 2011 iniciaram sua operação comercial e vêm recebendo de acordo com a energia efetivamente gerada, conforme preço de contrato. Os demais cinco parques iniciarão sua operação comercial em até trinta dias após a entrada em operação da Subestação Igaporã III, e, assim, os PPAs dos nove projetos também serão iniciados. A disponibilidade do complexo eólico está em linha com o esperado pela Fitch, em torno de 97,0%.

No período de nove meses encerrado em setembro de 2015, o projeto gerou R$ 117 milhões de receita líquida, e apresentou EBITDA de R$ 95 milhões, em linha com o esperado pela Fitch. Em setembro de 2015, o projeto apresentou dívida líquida de R$ 1,145 bilhão.

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