Falta de investimentos em energia pode custar caro ao Brasil

O anúncio do pacote de privatizações feito pelo governo federal espera-se que traga incentivos para o setor elétrico

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A equipe econômica estima nos próximos cinco anos terá o rendimento de R$ 44 bilhões com as desestatizações. Boa parte do capital será para ajustar as contas fiscais que terão déficit de R$ 159 bilhões em 2017. Uma das questões que os analistas estão aguardando é se haverá investimento no setor, pois, um dos grandes entraves ao crescimento econômico é a falta de infraestrutura. “Acreditamos que a privatização da Eletrobras, apesar de boa para a empresa, não será interessante para o setor elétrico. Se no momento o risco de um racionamento de energia elétrica está totalmente afastado, pois houve ampliação da capacidade de geração de energia elétrica e das linhas de transmissão no país, por outro lado, a atividade econômica está voltando a demonstrar sinais de crescimento e isso demandará cada vez mais energia, o que pode gerar preocupação para os próximos anos. Além disso, se antes as termelétricas, que aumentam o preço da energia pelo uso de combustível, eram o backup do sistema hidráulico, agora já entram em operação com maior frequência. Isso significa que o custo da energia será cada vez mais alto”, ressalta Vicente Koki, Analista-Chefe da DMI Group.

Investimentos no setor foram feitos desde o último alerta de racionamento, o que aumentou a potência para produção de energia alcançando mais de 151,5 mil MW, um crescimento de 4,2% ao ano. Porém, sendo a matriz predominante hidráulica, é possível que o país tenha uma nova crise de energia, caso não ocorra a quantidade de chuva esperada. “Entendemos que tal crescimento de geração foi suficiente até o momento, porque a economia tem apresentado baixa atividade econômica, mas em contexto de economia em expansão, com redução de desemprego, taxa de juros menor e aumento de consumo das famílias, então será necessário também desenvolver o setor elétrico, para que o crescimento do país não fique ofuscado, limitado”, analisa Vicente Koki. A intenção é que o país tenha investimentos no setor de energia renovável, como solar, eólica e biomassa. “A construção de uma hidrelétrica, além dos altíssimos custos, demora cinco anos para ser finalizada, sem contar o tempo da licitação e estudo. Entendemos que é importante considerar-se estímulos para outras matrizes energéticas, tais como a fotovoltaica, a eólica e as térmicas à biomassa. Na produção distribuída de energia, a geração é feita em pequena escala e próximas dos consumidores, o que não demanda a construção de grandes linhas de transmissão. Para distribuir eletricidade vinda de hidroelétricas é necessário extensas ligações até chegar aos grandes centros, aumentando o custo de instalação e manutenção e tornando o preço da energia para população o maior da América Latina e 6° mais caro do mundo”, afirma o Analista-Chefe da DMI Group.

Na última divulgação de crescimento, 1% do PIB no primeiro trimestre, foi observado que o agronegócio continua sendo o carro chefe para dados positivos. “Observamos uma grande janela de oportunidade para investimentos em energia limpa e renovável. A demanda mundial está numa curva ascendente neste segmento. Por isso, estamos concentrando nossos recursos neste mercado”, afirma Marcos Costa, CEO da DMI Group. Com o forte setor agrícola, o país é gerador de insumos que podem gerar energia, porém, não são aproveitados. “O agronegócio oferece uma grande quantidade de biomassa para as pequenas usinas térmicas. Além de ser até 40% mais barata é 100% renovável e pouquíssimo poluente. E também, a energia eólica é bastante complementar a matriz hidráulica, pois quando cessam as chuvas, iniciam-se os ventos”, comenta Vicente Koki. Analisando o setor elétrico para o futuro com as privatizações, Koki vê a imensa necessidade de investimentos em infraestrutura. “As privatizações apenas auxiliarão o Governo a fechar a meta de déficit fiscal. Os problemas e carências da infraestrutura, serão mais uma vez postergados. Mais interessante seria alocar os recursos dos novos investidores para a expansão da capacidade de geração de energia do sistema. Assim que o país voltar a crescer aumentará muito a demanda e com a redução da oferta os preços subirão. Isso significa que, o brasileiro terá o poder de compra reduzido, pois quase todos os produtos subirão de preço e ainda observará o impacto direto na inflação”, finaliza, Vicente Koki.

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