Queda histórica no carvão reacende esperanças sobre metas climáticas

Novo relatório mostra um declínio de 62% no início de novas usinas a carvão em todo o mundo e mais de 100 projetos congelados somente na Índia e na China

Divulgação

O número de usinas a carvão em desenvolvimento em todo o mundo teve uma queda dramática em 2016, principalmente por causa de mudanças nas políticas energéticas de países na Ásia, segundo um novo estudo divulgado pelo Greenpeace, Sierra Club e CoalSwarm. O relatório Boom and Bust 2017: Rastreando o Pipeline Global de Usinas a Carvão é o terceiro levantamento anual dessa natureza. As descobertas relatadas na edição deste ano incluem um declínio de 48% nas atividades pré-construção em geral, uma queda de 62% no início de novas obras e uma redução de 85% em novas permissões para usinas de carvão na China.

As razões para quedas tão acentuadas incluem uma dramática restrição a novos projetos de usinas de carvão pelas autoridades centrais chinesas e uma redução financeira por parte de apoiadores de usinas a carvão na Índia. Apenas na China e na Índia, mais de 100 projetos estão congelados.

Além do declínio no desenvolvimento de novas plantas, a pesquisa também apurou um recorde de 64 gigawatts no fechamento de usinas de carvão nos últimos dois anos, principalmente na União Europeia e nos EUA – o equivalente a quase 120 grandes unidades a carvão (ver nota).

De acordo com o relatório, a combinação da desaceleração no lançamento de novas usinas e a elevação do número de fechamentos das unidades obsoletas traz a possibilidade de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2° C acima dos níveis pré-industriais “dentro do alcance possível”, desde que os países continuem a acelerar a ação.

“Este foi um ano instável e incomum”, disse Ted Nace, diretor da CoalSwarm. “Não é normal ver o congelamento de projetos em dezenas de locais, mas as autoridades centrais na China e os banqueiros na Índia passaram a reconhecer a construção excessiva de usinas de carvão como um grande desperdício de recursos. A mudança dos combustíveis fósseis para fontes limpas no setor de energia é positiva para a saúde, a segurança climática e os empregos. Todos os sinais indicam que essa mudança não deve parar.”

“O aumento vertiginoso das energias limpas e a redução no número de projetos de usinas a carvão são mais uma prova de que o carvão não é apenas danoso para a saúde pública e o meio ambiente – ele é ruim para a economia”, sintetizou Nicole Ghio, da área de Campanhas Internacionais de Clima e Energia do Sierra Club. “Os mercados estão exigindo energia limpa e nenhuma retórica de Donald Trump será capaz de parar a queda do carvão nos EUA e em todo o mundo”.

“2016 marcou um verdadeiro ponto de viragem”, analisa Lauri Myllyvirta, ativista global sênior de Carvão e Poluição do Ar no Greenpeace. “A China quase interrompeu novos projetos de carvão depois que o surpreendente crescimento das energias limpas os tornou redundantes, com todas as necessidades de energia adicionais cobertas de fontes não-fósseis desde 2013. Os fechamentos de antigas usinas de carvão levaram a grandes reduções de emissões, especialmente nos EUA e no Reino Unido, enquanto a Bélgica e o Ontário ficaram inteiramente isentos de carvão e três países do G8 anunciaram prazos para a eliminação do carvão “.

O relatório destaca o Japão, Coréia do Sul, Indonésia, Vietnã e Turquia como países que não conseguiram desenvolver seus setores de energia renovável em sintonia com seus pares e continuam a construir e planejar novas usinas de carvão altamente poluentes.

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