Recorde na demanda em 51.596 MW é alerta para redução de consumo

O susto que consumidores três regiões brasileiras enfrentaram nesta segunda-feira (19) com a queda no fornecimento de energia elétrica serviu como alerta. A forte demande de 51.596 MW, …

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O susto que consumidores três regiões brasileiras enfrentaram nesta segunda-feira (19) com a queda no fornecimento de energia elétrica serviu como alerta. A forte demande de 51.596 MW, sendo que o recorde anterior era de 51.295 MW, ocorrido no dia 13 de janeiro de 2015, acabou por gerar uma reação imediata no Sistema Interligado Nacional (SIN) com o desligamento de hidrelétricas e da usina nuclear Angra I. Os dois recordes ocorreram em menos de dez dias

“Há um reflexo da questão hidrológica, com aumento de temperatura e recorde na demanda. Isso tudo diminuiu a capacidade de geração”, disse o professor da Universidade Federal do (UFRJ), Nivalde Castro.

Para o professor Castro, esse desligamento não pode ser comparado como uma preliminar de racionamento semelhante ao que o País enfrentou entre 2001 e 2002, mas foi um sinalizador de que o setor não está bem. “Não vivemos um risco de “apagão”. A posição clara para o que vamos enfrentar será em abril, com o fim do período úmido. O sistema tem robustez para suportar, mas é preciso cautela.”

O sistema se mantém firme com a operação das usinas do Rio Madeira, que seguem garantindo o intercâmbio. “Não estamos num cenário mais crítico porque está chovendo muito por lá e está sendo possível a exportação de energia de Tucuruí e Madeira. Caso contrário, estaríamos sim na iminência de um racionamento com os reservatórios do Sudeste no limite”, avaliou.

Vale ressaltar que a região Sudeste já foi considerada a caixa d’água do País, principalmente durante o racionamento de 2001. À época, havia energia mas faltavam linhas de transmissão para o escoamento, problema solucionado com os leilões realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Apagão

Nesta segunda-feira, o primeiro sinal da operação desencadeada pelo operador veio por volta da 15h com a AES Eletropaulo cortando 700 MW por orientação do ONS. Questão de 50 minutos a operação já estava restabelecida.

Não passou de um caso pontual, já que a CPFL Energia, quase ao mesmo   informou corte de 800 MW nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

O efeito já tinha atingido a paranaense Copel, que cortou 320 MW de carga, representando 6% da carga.

Em seguida a Celesc de Santa Catarina havia cortado 150 MW, a Elektro mais 200 MW e AES Sul (RS) cortou 176 MW de carga.

O desligamento do sistema atingiu as distribuidoras: Ceb (DF), Cemig (MG), Light (RJ) e Ampla (RJ). Ao todo, foram 11 estados atingidas com as distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. O total de consumidores afetados foi de 4 milhões.

Logo em seguida o ONS divulgou nota de que havia folga de geração no SIN, as restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste, aliadas à elevação da demanda no horário de pico, provocaram a redução na frequência elétrica. Com as usinas sem operação durante os cortes, somaram a perda de 2,6 GW, segundo ONS volume que excede a folga para a geração.

Na sequência, ocorreu a perda de unidades geradoras nas usinas Angra I, Volta Grande, Amador Aguiar II, Sá Carvalho, Guilman Amorim, Canoas II, Viana e Linhares (Sudeste); Cana Brava e São Salvador (Centro-Oeste); Governador Ney Braga (Sul); totalizando 2.200 MW. Com isso, a frequência elétrica caiu a valores da ordem de 59 Hz, quando o normal é 60 Hz.

IPDO

No Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS divulgado hoje, o intercâmbio de energia da região Sul foi superior ao valor programado para otimização energética, por conta da carga acima da prevista na região Sudeste/Centro-Oeste.

O desligamento, conforme o IPDO, ocorreu às 14h32 min com o recorde de carga na região Sudeste/Centro-Oeste, 51.596 MW, sendo que o recorde anterior era de 51.295 MW, ocorrido no dia 13 de janeiro de 2015.

No Nordeste, às 15h34min foi registrado recorde de carga com um valor de 12.166 MW, sendo que o recorde anterior era de 11.999 MW, ocorrido em 14 de janeiro de 2015.

Diante desse cenário, o professor Nivalde considera que há um link entre o governo e a população para a comunicação clara da importância de se preservar o consumo de energia elétrica: as bandeiras tarifárias. “O fato do governo orientar sobre as tarifas não é tratar o caso com um racionamento, mas para a conscientizar que se todos economizarem com as  bandeiras tarifárias  todos ganham”, finalizou.

Bandeiras tarifárias

O Sistema de Bandeiras Tarifárias já está em vigor e todas as tarifas do mês de janeiro virão com bandeira vermelha, já que o abastecimento de energia veio pela geração das usinas termelétricas, cujo custo de geração é mais caro com o uso de gás, diesel e carvão.

As bandeiras verde, amarela e vermelha indicarão se a energia custará mais ou menos, em função das condições de geração de eletricidade.

·  Bandeira verde: condições favoráveis de geração de energia. A tarifa não sofre nenhum acréscimo;

·  Bandeira amarela: condições de geração menos favoráveis. A tarifa sofre acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos;

·  Bandeira vermelha: condições mais custosas de geração. A tarifa sobre acréscimo de R$ 3,00 para cada 100 kWh consumidos.

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