ARTIGO: Consumir energia com inteligência

*Thiago Freire Guth

Negócio fechado

Com a chegada do inverno, é natural que as pessoas tomem banhos mais quentes e longos, liguem os seus aquecedores e máquinas de secar roupa sejam acionadas um maior número de vezes, aumentando o consumo de energia elétrica. Essas atitudes acabam elevando o valor dos gastos com energia, impactando o já apertado orçamento doméstico. É preciso estar disposto a mudar hábitos de consumo para não ser surpreendido no fim do mês, seguindo algumas dicas que ajudam a economizar na conta de luz.

A primeira preocupação deve ser com o grande vilão do inverno: o chuveiro, que é responsável por 25% a 35% dos gastos com energia elétrica em uma casa. Ao utilizá-lo, com a chave no modo ‘inverno’, o acréscimo no consumo é de cerca de 30% em relação ao modo ‘verão’. Um banho quente com 30 minutos de duração consome de 2 a 3 kWh (quilowatts-hora) o que equivale a aproximadamente 79 kWh no mês. Considerando que o valor médio do quiloWatt/hora cobrado no Estado de São Paulo para consumo residencial (tarifa B1) custa na ordem de R$ 0,44, um banho com 30 minutos de duração, ao final de 30 dias, significa um custo R$ 34,76 – sem contar os encargos associados.

Para economizar, o correto é reduzir ao máximo tempo do banho. Dessa forma, é possível reduzir, além da energia, o consumo de água. Um banho de 15 minutos utiliza aproximadamente 135 litros de água. Se o cliente fechar o registro ao se ensaboar, o consumo do líquido cai cerca de para 45 litros – uma significativa economia de 33%. Uma iniciativa que tem contribuído para reduzir o valor da conta de luz da população carente foi a instalação, pela CPFL Paulista, de aquecedores solares em moradias populares por meio do seu Programa de Eficiência Energética.

No inverno, o uso das secadoras também cresce e o aparelho consome entre 120 a 150 kWh por mês, quando utilizado uma vez por dia. O frio também contribui para que se use mais a lavadora, que consome mensalmente de 3,15 a 6,30 kWh quando ligada duas vezes por semana. A dica aqui é procurar acumular roupa para lavar e secar tudo de uma única vez. Outro aparelho muito utilizado é o aquecedor elétrico. O Idec avaliou aparelhos (irradiador, gabinete, a óleo e splint) de nove marcas diferentes, sendo 21 modelos no total, e concluiu que, embora os preços sejam acessíveis, eles consomem muita energia. Um equipamento ligado por oito horas ao dia durante duas semanas pode gerar um impacto entre R$ 50 e R$ 95 na conta.

Por ficarem ligadas durante o dia todo, as geladeiras são responsáveis por boa parte dos gastos com energia em uma residência. Por isso, evite abrir e fechar o eletrodoméstico desnecessariamente e não deixe o aparelho próximo a equipamentos que produzam calor, como o fogão. Outros conselhos úteis são não deixar acumular gelo e só ligar o freezer em ocasiões especiais, como festas ou churrascos. Por meio do Programa de Eficiência Energética, a CPFL Paulista desenvolve um projeto de substituição de geladeiras antigas da população carente por modelos mais eficientes, proporcionando uma redução na conta de luz desses consumidores.

Embora pequenas, as lâmpadas consomem uma quantidade razoável de energia. Para economizar, opte pelos modelos eletrônicos fluorescentes, que possuem potência de cerca de 20 watts por hora e são mais econômicas que as incandescentes, com potência de 60 watts. Evite deixar as luzes acesas e aproveite a luz do sol. Compre aparelhos identificados com o selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Produtos que apresentem notas A ou B possuem uma maior eficiência energética, que os de notas D ou E. As distribuidoras do grupo CPFL Energia tem dado especial destaque a esse tema, conscientizando a população para o uso racional de eletricidade, ministrando palestras e dando apoio a comunidades carentes através do programa de Eficiência Energética.

Nos últimos anos, cresceu a conscientização não só das empresas, mas também da população para o consumo mais adequado da energia. Essas medidas remetem a uma prática mais consciente no uso de um recurso escasso e também geram uma economia imediata na conta de luz dos clientes. Os benefícios, contudo, tendem a ultrapassar a questão econômica, sendo uma contribuição coletiva para um planeta melhor em que se respeitem as limitações de recursos sem abrir mão do conforto, da qualidade de vida e do desenvolvimento socioeconômico.

* Thiago Freire Guth é engenheiro eletricista, mestre em Engenharia Elétrica e diretor de Operações das distribuidoras do Grupo CPFL Energia

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