ARTIGO: Energia temporária ganha o Nordeste

*Por Abraham Curi

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Há décadas ouvimos falar sobre a crise hídrica que atinge o Nordeste do Brasil, prejudicando de maneira significativa tanto a vida da população quanto a economia da região como um todo. Nos últimos cinco anos, a estiagem se agravou ainda mais e comprometeu a capacidade de muitos dos reservatórios nordestinos. Castanhão, no Ceará, e Sobradinho, na Bahia, já estão em níveis considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA), com 3,6% e 2,7% de volume de água disponível, respectivamente. Das 533 represas monitoradas na região, 142 estão quase secas.

A possibilidade de desabastecimento de empresas públicas e privadas é cada vez mais real. Este cenário gera uma demanda maior por energia temporária.Você deve estar se perguntando: “Mas, como assim? Se está faltando água, por que seria preciso ampliar a oferta de energia temporária”. A resposta pode ser mais lógica e natural do que parece.

Uma das alternativas mais eficientes para evitar o racionamento de água na região é a criação de estruturas emergenciais para a transposição de águas para esses reservatórios. É a maneira mais prática e rápida de abastecer as grandes cidades e polos produtores do Nordeste e, assim, evitar os prejuízos que a falta d’água traria para esses locais.

Essas estações fazem o bombeamento de água de um reservatório para outro, ou da própria represa, para áreas mais elevadas, onde o fluxo tem mais dificuldade de chegar quando a sua capacidade fica reduzida. É aqui que entra a energia temporária, pois, para que possam funcionar, essas estruturas necessitam do uso de geradores.

Os geradores acabam sendo a melhor (muitas vezes a única) opção nesse cenário, principalmente por ser uma fonte muito mais acessível de energia para esse tipo de operação. Seja por não terem o funcionamento constante, o que diminui custos, seja por ter a possibilidade de usar combustíveis com menor impacto ambiental do que as termoelétricas, como gás natural, por exemplo. Sem contar as ocasiões nas quais os locais onde as bombas estão instaladas possuem oferta escassa das redes fixas de energia.

Outra vantagem importante em operações emergenciais é a facilidade da instalação dos geradores, já que para colocar os equipamentos em funcionamento não é necessário estruturar projetos trabalhosos ou utilizar linhas de transmissão. A agilidade é quesito fundamental para garantir, por exemplo, o abastecimento de um polo fruticultor e evitar perdas irreversíveis das safras e, consequentemente, quebra no volume de exportações.

E, mesmo as iniciativas majoritariamente governamentais, como a ampliação ou a transposição permanente dos reservatórios em situação crítica, ou aquelas para manter o funcionamento de hidrelétricas, também demandam o uso de geradores durante toda a duração das obras.

Por conta disso, o segmento de energia temporária deve crescer nos próximos anos. Os projetos, grandes e emergenciais para solucionar ou remediar a escassez de água no Nordeste, seguramente vão ganhar força. E isso será muito positivo, com ganhos econômicos e sociais para toda a cadeia.

Com menos carência de água, os produtores terão uma garantia maior de que as safras serão boas. A indústria terá a sua capacidade produtiva ampliada. O setor de energia temporária vai se desenvolver e gerar mais empregos, diretos e indiretos. A economia da região vai se desenvolver como um todo. E a população, além de estar abastecida, terá mais acesso a alimentos e outros produtos e serviços essenciais.

É a hora de abraçar as oportunidades. O setor já está investindo dezenas de milhões de reais em 2017 e deve expandir ainda mais até 2020. A participação no Nordeste deve crescer acima dos 50% e tem potencial para voos maiores. O momento é agora.

*Abraham Curi é CEO da Tecnogera Geradores

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