FGV/ANÁLISE: Política energética de Trump

"Os Estados Unidos terão que competir com outros grandes exportadores de GNL, como Qatar, Malásia e Austrália",

Trump e a energia

Há pouco mais de um ano, Donald Trump chegava à Casa Branca após uma campanha marcada por declarações polêmicas e contraditórias. Para a pesquisadora da FGV Energia Júlia Febraro, as promessas do presidente dos Estados Unidos se concretizaram, representando uma ameaça à continuidade dos instrumentos e políticas adotados durante a Administração Obama. “As decisões de Trump foram na contramão mundial, o ápice foi a retirada do país do Acordo de Paris”, explica Júlia.

A pesquisadora da FGV Energia lembra que Trump assinou, em janeiro de 2017, dois Atos Executivos com o objetivo de dar continuidade aos polêmicos projetos de construção dos oleodutos de Keystone XL e de Dakota Access, através dos quais deve fluir grande parte do petróleo oriundo do Canadá. Ela destaca ainda a ordem de revisão dos padrões federais de eficiência de combustível para veículos e, alguns dias depois, a assinatura do decreto para acabar com o Clean Power Plan.

GNL

Júlia Febraro salienta que pelo lado dos combustíveis de origem fóssil, os EUA têm caminhado a largos passos no sentido de incrementar sua produção de carvão, de GNL e de gás natural a partir de reservatórios de baixa permeabilidade. Segundo ela, no âmbito energético geopolítico, alavancado pela sobreoferta de gás natural, o governo Trump tem investido na abertura do mercado de GNL, cuja capacidade de processamento deverá crescer quase sete vezes até 2019, com a abertura de cinco terminais de exportação.

“Os Estados Unidos terão que competir com outros grandes exportadores de GNL, como Qatar, Malásia e Austrália, mas projeções colocam os EUA como o terceiro maior em 2020, superando a Malásia. Para Trump, o incremento das exportações de GNL é um pilar central de seu plano para alcançar a chamada energy dominance, não só ao garantir segurança energética nacional, mas também ao expandir as influências no resto do mundo, estreitando relações com Europa e Ásia”, analisa a especialista da FGV.

Embargos

A pesquisadora da FGV Energia lembra também que sanções dos EUA impostas ao Irã, relacionadas ao programa nuclear iraniano, e à Venezuela fizeram com que os preços do Brent tenham valorizado significativamente (cerca de 50%) em apenas cinco meses, atingindo a máxima de US$ 64 por barril em 6 de novembro, o maior patamar desde junho de 2015.

Oposição

A especialista aponta, entretanto, que graças ao descentralizado sistema energético, os estados norte-americanos são importantes atores no combate às mudanças climáticas e nos esforços ligados à transição energética mundial. “Trump deixou claro que em seu governo estaria terminada a chamada ‘guerra contra o carvão’ e anunciou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris. No entanto, grupos opostos têm pressionado por maiores investimentos em eficiência energética e tem estabelecido metas próprias de redução de emissões no longo prazo”, destaca Júlia Febraro.

A especialista ressalta que um dos programas mais ambiciosos foi estabelecido pelo estado da Califórnia, visando à redução de 40% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) até 2030. Outra demonstração de força dos estados norte-americanos apontada por Júlia Febraro é a chamada U.S. Climate Alliance – Aliança criada por 14 governadores contrários à política energética de Trump.

“Juntos, os estados participantes respondem por mais de 36% da população dos Estados Unidos, representam pelo menos US$ 7 trilhões no PIB do país e empregam 1,3 milhão de pessoas nos setores de energia limpa e eficiência energética”, explica a pesquisadora da FGV Energia.

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