OPINIÃO: Uma alta na gasolina?

*Por André Perfeito

Gráfico Gradual

Não pretendo fazer sugestão de investimento, nem deve ser visto o que vou dizer como uma recomendação, mas dado que o preço da gasolina é chave na economia não posso deixar de reparar que tivemos no período recente uma alteração substancial no cenário desta commodity. Desde que os árabes forçaram ladeira abaixo o preço do barril de petróleo o mercado vem se questionando qual seria o novo preço de equilíbrio. O preço da gasolina negociada na NYM (New York Mercantile Exchange) caiu entre meados de junho e meados de janeiro algo como 52% em REAIS. De janeiro até agora o preço da gasolina, em REAIS, subiu quase 90%!

Este movimento de alta é decorrente da recuperação do preço da commodity, mas, principalmente, da depreciação do Real frente ao Dólar.

Assim faz sentido que tenhamos ao longo de 2015 alguma alta na gasolina por aqui uma vez que a tendência é de certa apreciação no barril de petróleo no mercado mundial (em USD) e do Real continuar perdendo – levemente – contra o Dólar até o final do ano (nossa projeção é que o Dólar atinja R$ 3,50 no fim deste ano dado a elevação de juros por lá no segundo semestre). Já sabemos que o BCB não quer ver um Real forte, afinal isso iria contra o ajuste que ele mesmo quer fazer nos preços relativos e a indicação recente que irá diminuir a rolagem dos swaps corrobora nesse sentido.

A atual presidência e diretoria da Petrobras já se posicionou que quer ter liberdade para formar seus preços. Se isso for verdade, e dado o caráter pró-mercado do governo atualmente acreditamos que seja, podemos ter que lidar com esta situação em breve.

Não imagino que seja uma alta forte no preço, mas o suficiente para refazer parte do caixa. No fundo o efeito poderia ser bastante positivo de uma alta na gasolina. Como 2015 está “perdido” a alta poderia reforçar o sentimento de segurança e de confiança com a empresa e o país. No fundo seria como se o governo se financiasse através da população para resgatar a confiança na Petrobras e por tabela com o país.

*André Perfeito é economista chefe da Gradual Investimentos

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