Bandeiras tarifárias podem recuar mais em 2015 com mais usinas

Garantias podem vir com cerca de 1.800 MW da UHE Teles Pires e as primeiras unidades geradoras de Belo Monte

Ministro Eduardo Braga - 3 Ag. Brasil

De acordo com o Ministério de  Minas e Energia, o valor da Bandeira Vermelha, adicional cobrado na conta de luz que sinaliza maior custo para a geração de energia, poderá ter nova redução até o final deste ano. A afirmação é do ministro do ME, Eduardo Braga. Essa pode ser mais uma das medidas que mostram o novo ciclo de redução das tarifas de energia, que teve início na semana passada, com o desligamento das usinas térmicas mais caras.

Ontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) colocou em consulta pública a proposta de reduzir em 18% a Bandeira Vermelha, de R$ 5,50 para R$ 4,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, conforme antecipou o ministro Eduardo Braga no início desta semana. A inclusão de mais energia nova no sistema, com custo mais baixo, permite que a bandeira possa ser reduzida, sem riscos aos consumidores. Contribuiu também uma pequena recuperação ocorrida nos reservatórios.

O ministro rebateu a crítica de alguns analistas e empresas distribuidoras de energia que criticaram a redução do valor da bandeira, sob o argumento de que a atitude é prematura. “Da mesma forma que tivermos coragem de fazer o realismo tarifário no início do ano puxando a conta para cima, nós temos de ter coragem de fazer o ajuste puxando a conta para baixo, e nós vamos fazer”, destacou Braga.

O objetivo é conseguir reduzir o custo da energia paulatinamente, para chegar em 2018 com energia a preços competitivos com o mercado internacional. Braga informou que a meta para 2015 e 2016 é  desligar térmicas com custo acima de R$ 600 o MW médio, passo iniciado agora; entre 2016 e 2017, o objetivo é desligar usinas com custo acima de R$ 400 o MW médio, e reduzir ainda mais o custo de geração de energia médio em todo o país em 2018.

“Nós acreditamos, ao contrário dos pessimistas, que estamos iniciando um ciclo com viés de baixa nas nossas tarifas”, disse Braga em entrevista coletiva à imprensa no Rio de janeiro, nesta sexta-feira. “Acho que a decisão da Aneel é correta, o Ministério defende isso. Se tivermos de fazer ajustes para cima nós faremos, com a mesma transparência”, afirmou.

O ministro destacou que a entrada de energia de novas usinas no Sistema Interligado Nacional (SIN) deve permitir a substituição de mais energia cara por opções com menor custo. Ele citou como exemplo os cerca de 1.800 MW da Usina Hidrelétrica de Teles Pires; as primeiras unidades geradoras de Belo Monte, com entrada prevista em operação no começo do ano que vem; além da inclusão de novas eólicas e outras usinas que fornecem energia com menor custo.

Segundo Braga, essas medidas já estão tendo impacto para os consumidores, com um valor menor cobrado na bandeira tarifária já em setembro deste ano. Em outubro e novembro, avalia Braga, será possível fazer novo balanço das condições hídricas e novas medidas para baratear a conta de luz poderão ser adotadas em novembro e dezembro.

“Tudo está planejado para termos uma escada ao contrário. Teremos uma descida da tarifa, degrau a degrau, com responsabilidade, com segurança, de forma conservadora, ninguém quer se precipitar. Existem aqueles que gostariam fazer um corte mais acelerado das térmicas. Nós não queremos fazer isso, queremos ir passo a passo, sem deplecionar nossos reservatórios”, afirmou.

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