Principais pontos do acordo nuclear assinado pelo Irã

A chefe da política externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, ,disse que o acordo "representa um sinal de esperança para o mundo"

Urânio e as reservas

O acordo sobre o programa nuclear iraniano, assinado hoje em Viena, depois de 21 meses de negociações, está incluído num documento com aproximadamente 100 páginas, um texto principal e cinco anexos. Segundo a delegação francesa, citada pelo diário Le Monde, as principais linhas do acordo entre Teerã e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Reino Unido, França e Rússia, e Alemanha) – num processo que se arrastava há 12 anos, preveem:

Limitar o enriquecimento de urânio

O objetivo principal consiste em pôr em prática severas restrições para garantir que o break-out, o tempo necessário para produzir urânio enriquecido que permita fabricar uma bomba atômica, seja de pelo menos um ano e durante uma duração de dez anos.

Limitar a produção de plutônio

O plutônio é, com o urânio, a outra matéria fóssil que pode ser usada na fabricação de uma bomba atômica. O acordo de Viena estipula que o reator da central de água pesada de Arak será modificado para não produzir plutônio com poder militar.

Reforçar as inspeções

Era um dos pontos mais delicados das negociações. Será aplicado um regime reforçado de inspeções durante toda a duração do acordo, e mesmo para além em relação a certas atividades. A Agência internacional de energia atómica (AIEA) poderá assim verificar durante 20 anos o parque de centrifugadoras e durante 25 anos a produção de concentrado de urânio (‘yellow cake’). O Irão compromete-se em aplicar, e depois ratificar, o protocolo adicional da Aiea, que permite inspeções intrusivas.

Terminar com as sanções

O principal objetivo dos iranianos consistia em obter o fim das múltiplas sanções (da Organização das Nações Unidas, Estados Unidos e Europa) que prejudicam o desenvolvimento do país. As sanções adotadas pela União Europeia e EUA dirigidas aos setores financeiro, energia e do transporte iranianos seriam levantadas a partir da aplicação pelos iranianos dos seus compromissos, atestados por um relatório da Aiea. O mesmo procedimento será aplicado para anular as seis resoluções adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o Irã desde 2006.

Manter o embargo de armas

Mantêm-se as sanções relativas aos mísseis balísticos e às importações de armas ofensivas. A transferência de materiais sensíveis que possam contribuir parra o programa balístico iraniano também será proibida durante oito anos, salvo autorização explícita do Conselho de Segurança da ONU.

O texto não prevê o fim do programa iraniano, como admitido no início das primeiras negociações entre 2003 e 2005, conduzidas pelos europeus.

As infraestruturas iranianas também passam a ser vigiadas mais de perto para impedir Teerã de iniciar uma corrida clandestina à bomba atômica.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammed Javad Zarif, afirmou, no início da última sessão plenária das negociações nucleares de Viena (Áustria), que o acordo firmado entre o país e o Grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, mais Alemanha) não é perfeito, mas que todos ganham com ele.

“Hoje poderia ter sido o final da esperança, mas estamos perante um novo capítulo”, disse o chanceler iraniano sobre o fim dos 18 dias de negociações na capital austríaca para se fechar o histórico acordo.

Zarif expressou seu respeito por todos aqueles que ajudaram a chegar a uma “solução na qual todos ganham de uma desnecessária crise na opinião do Irã”.

“Acho que esse é um momento histórico. Estamos fechando um acordo que não é perfeito, mas sim o que pudemos conseguir. É uma conquista importante”, destacou.

Já a chefe da política externa da União Europeia (UE), Federica Mogherini, que coordenou o grupo internacional nas negociações, disse que o acordo “representa um sinal de esperança para o mundo”.

“Acho que todos sabemos que a decisão que vamos tomar está relacionada com o programa de armas (do Irã), mas é muito, muito mais do que isso. Ela abre um novo capítulo nas relações internacionais”, disse a diplomata italiana.

Uma declaração oficial conjunta de Mogherini e Zarif é esperada após o fim da reunião para dar mais detalhes sobre o acordo histórico firmado em Viena.

Ag. Brasil e EFE

0 acharam esta informação útil

0 não acharam esta informação útil

Assuntos desta notícia