Balanço de gases de efeito estufa na produção de cana-de-açúcar

Para o autor, incentivos em políticas públicas são necessários para conduzir a expansão da cana-de-açúcar em direção a um caminho sustentável

Ganhando força

Dentro do Programa de Pós-Graduação em Agronomia (Produção Vegetal) da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp de Jaboticabal, o pesquisador, Ricardo de Oliveira Bordonal, apresentou trabalho de grande impacto internacional sobre os gases de efeito estufa (GEE) na produção de cana-de-açúcar.

Destaque na revista Renewable & Sustainable Energy Reviews, o trabalho trata do balanço dos GEE CO2, CH4 e N2O associados a produção da cana nas áreas de recente expansão no Brasil. Com esse estudo é possível identificar as maiores fontes de emissão, bem como as estratégias visando sua redução, e consequentemente, a redução da “pegada de carbono” associada ao etanol produzido nessas áreas.

Bordonal utilizou dados de sensoriamento remoto (satélite), onde é possível identificar tais áreas, bem como qual tipo de conversão ocorreu (ex. citrus-cana, ou pasto – cana). Essa informação da mudança do uso da terra é importante nas estimativas do balanço de gases de efeito estufa.

O autor conclui que a maioria dos estudos de ciclo de vida considera apenas a avaliação das emissões de GEE associadas à produção agrícola, sendo a mudança direta do uso da terra (MUT) ainda é negligenciada. O cultivo da cana-de-açúcar e sua expansão durante 2006-2011 no Centro-Sul do Brasil apresentou um balanço total de GEE acumulado de 217,1 Tg CO2eq em 2030, incluindo as emissões das atividades de cultivo e as emissões/remoções associadas à MUT. A expansão dos canaviais contribuiu para reduzir as emissões de GEE da produção agrícola, das quais 57% foram compensadas pelo armazenamento de C na biomassa de cana devido à MUT.

A pesquisa aponta que os solos apresentaram um balanço de C quase neutro em 2030, uma vez que o aumento do estoque de C orgânico associado à conversão de culturas anuais para cana-de-açúcar foi compensado pela depleção dos estoques de C orgânico da conversão de pastagens. Além disso, uma redução adicional de GEE deverá ocorrer nos próximos anos em função da extinção da pré-colheita com queima da cana no Brasil.

Para o autor, incentivos em políticas públicas são necessários para conduzir a expansão da cana-de-açúcar em direção a um caminho sustentável. “Como tem sido feito para a expansão da cana durante 2006-2011, evitar a conversão de citros, florestas plantadas e florestas naturais é imperativo, enquanto ter essas expansões em áreas de pastagens torna-se desejável como uma estratégia fundamental para garantir os benefícios ambientais do etanol de cana-de-açúcar no Brasil”, diz.

Assinam também o artigo Rattan Lal, do Carbon Management & Sequestration Center, The Ohio State University; Daniel Alves Aguiar e Bernardo Friedrich Theodor Rudorff, da AgroSatelite; Eduardo Barretto de Figueiredo, Luciano Ito Perillo e Newton La Scala, da FCAV; e Marcos Adami, do INPE – Centro Regional da Amazônia..

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