Cresce pressão para que Exxon revele seus riscos climáticos

No ano passado, a medida em favor da transparência climática não foi aprovada porque os fundos Vanguard e BlackRock, os maiores acionistas da Exxon

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Um exemplo claro de como o combate ao aquecimento global está mudando o cenário de negócios: cresce a pressão dos acionistas das empresas de petróleo pela divulgação do quanto essas empresas estão expostas a riscos climáticos, principalmente a desvalorização de ativos por conta de sua obsolescência. Esse movimento tem sido forte em várias reuniões anuais de acionistas, incluindo a da Exxon do ano passado, e isso deve se repetir na quarta que vem, dia 31/5, quando acontecerá a reunião anual de 2017 da empresa.

No ano passado, a medida em favor da transparência climática não foi aprovada porque os fundos Vanguard e BlackRock, os maiores acionistas da Exxon, votaram contra. Só que a posição do BlackRock – o maior gestor de fundos do mundo, presente em 30 países e que alcançou um recorde de US$ 202 bilhões de entradas líquidas totais de ano passado – mudou. Atualmente, a BlackRock é membro do Grupo de Trabalho sobre Divulgação Financeira Relacionada ao Clima (FSB TCFD), que recomenda às empresas “Descrever o impacto potencial de diferentes cenários, incluindo um cenário de 2 ° C, sobre os negócios da organização, estratégia e planeamento financeiro.” Em recente nota explicando porque votou a favor da divulgação dos riscos climáticos da Occidental Petroleum, a BlackRock informa que agora a transparência sobre riscos climáticos é uma de suas cinco prioridades.

A BlackRock poderá emitir uma declaração antes da reunião, entre terça e quarta-feira, já que o gestor de ativos estabeleceu que: “Dado o interesse em determinados votos, decidimos que era mais eficaz explicar a nossa abordagem e decisão publicamente no dia da reunião, ou pouco tempo depois, de forma que os clientes interessados ​​e outros possam estar cientes do voto de BlackRock quando é de maior relevância para eles.” O Vanguard, por sua vez, não quis comentar sobre suas intenções de voto este ano e é pouco provável que emita uma declaração.

Uma lista de pré-declarações públicas está disponível no site da Ceres. Até agora, 87 investidores e proprietários de ativos, incluindo CalPERS, Church Commissioners para a Inglaterra, Fundo Comum de Aposentadoria do Estado de Nova York, AXA e HSBC, pré-declararam apoio à resolução do clima da Exxon.

Um relatório recente da Global Investor Coalition e do CDP colocou a Exxon na lanterna em termos de capacidade de resposta ao engajamento dos investidores. Entre 10 empresas globais de petróleo e gás avaliadas, a Exxon ocupa o 9º lugar.

Catherine Howarth, CEO da ShareAction acrescenta: “O apoio da BlackRock à resolução na Occidental na semana passada é uma grande novidade. Enquanto celebramos esta votação, e outras que esperamos que venham na sequencia – por exemplo, na Exxon – não esqueçamos que o sucesso das resoluções climáticas não é medido, em última instância, pelo número de votos, mas pelas mudanças substanciais que elas catalisam nas empresas que emitem muito carbono. As Resoluções de 2015 na BP e na Shell passaram com cerca de 99% de apoio, mas ambas as empresas ainda mantêm estratégias de negócios que nos levam para assustadores 3 graus de aumento da temperatura média do planeta. É fundamental que os investidores votem da maneira correta na resolução da Exxon na próxima semana, mas devemos reconhecer que isso é apenas um primeiro passo rumo à transformação exigida pelas maiores petrolíferas do mundo para torná-las investimentos seguros.”

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