Governo de São Paulo e setor canavieiro assinam protocolo de boas práticas ambientais

Redução do consumo de água no processo industrial atingiu 40%, saindo de 1,52 metro cúbico na safra 2010/2011

Produção

Ações para realizar uma produção de cana-de-açúcar mais sustentável são o principal foco do protocolo de intenções celebrado nesta segunda-feira, 26 de junho, entre o Governo do Estado de São Paulo e o setor canavieiro. O documento foi assinado na Capital pelos secretários Arnaldo Jardim, de Agricultura e Abastecimento, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, na abertura do Ethanol Summit, que contou com a presença do governador paulista, Geraldo Alckmin, destacando o grande potencial da cana e seus produtos.

Ao assinar o documento, Arnaldo Jardim lembrou que “o governador Geraldo Alckmin deu desde o início uma diretriz para nós da Secretaria que é fazer uma agricultura em harmonia com o meio ambiente. Essa renovação do protocolo não é sobre prazo, mas sobre agregar novos valores”.

Em 10 anos de Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, a área colhida sem a queima chegou a 97,5%. A redução de gás carbônico e equivalentes foi de 9,27 milhões de toneladas e a emissão de poluentes atmosféricos foi reduzida em 56 milhões de toneladas. Isso equivale às emissões de 162 mil ônibus a diesel circulando por um ano.

A redução do consumo de água no processo industrial atingiu 40%, saindo de 1,52 metro cúbico na safra 2010/2011 para 0,91 metro cúbico na safra 2016/2017. 200 mil hectares de matas ciliares foram protegidos, 8.230 nascentes recuperadas e programas de recuperação ambiental em pelo menos 60% das usinas e fornecedores de cana.

O documento de 2017 objetiva superar os desafios da eliminação da queima (prevista no documento de 2007) e garantir ainda mais sustentabilidade à canavicultura com iniciativas como a proteção e restauração de áreas ciliares, eliminação da queima pré-colheita, conservação do solo e conservação e reuso da água. Inclui ainda o aproveitamento dos subprodutos da cana-de-açúcar, prevenção, combate aos incêndios florestais, boas práticas no uso de agroquímicos e a inscrição de todas as propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

“O protocolo assinado há 10 anos foi um sucesso. Nós praticamente reduzimos a 2% a queima da cana no Estado, tivemos um ganho ambiental muito grande, a recomposição de matas ciliares, e agora estamos fazendo para os próximos 10 anos, e fazendo de forma voluntária e com metas bastante ambiciosas”, destacou o governador Geraldo Alckmin.

Com vigência de cinco anos, o documento elenca ações como a recuperação gradual de áreas pelas unidades de processamento de cana e pelos fornecedores, com projetos iniciados em até cinco anos. Inclui também iniciativas conjuntas entre o setor produtivo e o poder público – representado pelas secretarias de Agricultura e Abastecimento e do Meio Ambiente e pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Paris

O Protocolo Agroambiental é uma importante ferramenta para o cumprimento das metas firmadas em 2015 no Acordo do Clima de Paris, em vigor desde novembro de 2016, como lembrou Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), organizadora do Ethanol Summit. “O setor sucroenergético contribui para ambas as linhas do Acordo de Paris: uso do solo e uso de biocombustíveis”, detalhou, adicionando que “somos um setor dos novos tempos. No mundo da energia, a palavra-chave é descarbonização”.

O Ethanol Summit continua com programação nesta terça-feira, 27 de junho, com painéis discutindo os 30 anos da bioeletricidade, infraestrutura no setor sucroenergético, mais produtividade com menor custo, biocombustíveis na evolução da indústria automobilística e na aviação e o consumo equilibrado de açúcar. Mais informações no site www.ethanolsummit.com.br.

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