Política energética alternativa pode ampliar investimento estrangeiro no Brasil

Em debate na AmCham Rio, representantes do setor demonstraram preocupação com o alto preço da energia e reforçaram a importância de ampliar a matriz brasileira

Eólica e a geração

Às vésperas da COP 21 e em meio ao cenário de escassez hídrica no território brasileiro, diversificar a matriz energética é um grande passo em prol da sustentabilidade e pode colaborar para o fluxo de investimentos estrangeiros no país. Essa é percepção de especialistas ligados ao setor que estiveram reunidos na Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (AmCham Rio).

Para Mário Lima, diretor de sustentabilidade da EY, o cenário é propício para se pensar em energias alternativas. “Nosso país decidiu voluntariamente reduzir as emissões de carbono e os investidores estão atentos a essa tendência. A natureza favorece bastante o Brasil para esse tipo de empreendimento. As fontes renováveis vão nos ajudar a cumprir nossas metas de redução, assim como alavancar novos investimentos. Não podemos deixar a oportunidade passar”, afirmou o executivo.

A matriz de energia no país é formada por recursos renováveis desde o desenvolvimento do setor, principalmente com investimentos hídricos. Segundo dados da EY, durante a última década, nossas fontes passaram a incluir outras bases renováveis, como a biomassa, energia eólica e solar, totalizando 70% da energia gerada em território nacional.

Ainda assim, a presença de fontes fósseis ainda é forte e impactam o ambiente de negócios principalmente nos momentos de racionamento, em que as termelétricas precisam ser ativadas. “O cenário de escassez hídrica e alto preço da energia, associado ao ritmo lento da economia, causam impacto nos cofres das empresas e do governo. Neste contexto, o setor empresarial deve buscar uma maior eficiência energética e hídrica em seus processos de produção, o que reduz o seu gasto nestas áreas”, afirmou Kárim Ozon, presidente do Comitê de Meio Ambiente da AmCham Rio.

Para Elbia Silva Gannoum, presidente-executiva da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), que também participou do encontro, um país como o Brasil não pode correr o risco de depender apenas das hidrelétricas, uma vez que conta com tantos recursos naturais disponíveis. “O Brasil soube expandir oportunamente a oferta de energia a partir das hidrelétricas, por ser uma fonte rica, renovável, competitiva e que sempre tivemos em abundância. Sabemos, porém, que o cenário atual não é animador”, concluiu Elbia.

Discutiram o tema, José Guilherme da Rocha Cardoso, chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, José Domingo Bouzón, vice-presidente da ABIH-RJ (Associação Brasileira da Indústria de Hoteis), Pedro Rolim, coordenador do Programa Qualiverde, e o advogado Luiz Gustavo Bezerra, sócio da Motta, Fernandes Rocha Advogados.

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