Programa CAB da Itaipu deverá ser a salvação do Sistema Cantareira

O CAB é um conjunto de 20 programas executados na Bacia do Paraná, que inclui microbacias na região da usina do lado brasileiro

Microbacias e a preservação

O diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, afirmou na manhã desta quarta-feira, que o programa Cultivando Água Boa (CAB), da Itaipu Binacional, deverá ser adotado pelo Governo do Estado de São Paulo para proteger os reservatórios do Sistema Cantareira.

Segundo Andreu, a proposta foi feita após uma conversa com o secretário de Recursos Hídricos de São Paulo (e presidente do Conselho Mundial da Água), Benedito Braga. Na ocasião, Braga afirmou acreditar que a adoção do CAB é uma estratégia importante para combater a escassez de água que acomete aquele estado.

“O Benedito já conhece o CAB e afirmou que irá acertar uma cooperação com Itaipu para levar a iniciativa para lá. Evidentemente, ainda há um caminho a ser percorrido para se firmar essa cooperação e para se criar uma articulação com os programas e recursos que já existem”, afirmou.

A declaração de Vicente Andreu foi dada durante sua fala na abertura do “Encontro de experiências pioneiras e inovadoras de iniciativas sociais na gestão da água”, que reúne autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) e representantes de 18 países em Foz do Iguaçu (PR). O objetivo do encontro é formar uma rede mundial de boas práticas na gestão da água a partir da experiência dos 11 vencedores do prêmio Water for Life. O encontro se estende até amanhã, ao meio dia, no Hotel Golden Park.

Cultivando Água Boa

O CAB é um conjunto de 20 programas executados na Bacia do Paraná Parte 3, um território de aproximadamente 800 mil hectares e um milhão de habitantes, distribuídos por 29 municípios no entorno do reservatório de Itaipu. Ao todo, são 217 microbacias hidrográficas que conta com diversas ações para a proteção e recuperação das nascentes e dos cursos dos rios, com iniciativas voltadas a novos meios de produção (principalmente agropecuária) e consumo, conservação da biodiversidade, educação ambiental, atenção a segmentos vulneráveis (como indígenas, agricultores familiares, pescadores e catadores de materiais recicláveis), entre outros. O programa recebeu o prêmio Water for Life, da ONU Água, como melhor prática de gestão dos recursos hídricos no mundo, em 2015.

“O CAB é uma experiência única em termos de resultados, que são muito consistentes. É claro que, para ser aplicado na Cantareira, que tem as margens bastante devastadas, tem que se ter em vista um horizonte de longo prazo. Não é porque hoje se plantam algumas mudas para recuperar as matas ciliares que se deve esperar um aumento do nível dos reservatórios amanhã. Mas é um trabalho complexo que certamente passará pela proteção das nascentes”, disse Andreu.

Para ele, um dos pontos fortes do programa está na gestão compartilhada e no envolvimento das comunidades na condução das ações. “Não adianta os órgãos reguladores dizerem o que a sociedade tem que fazer. É a sociedade, como no CAB, que tem que dizer o que precisa ser feito”, completou.

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