WWF BRASIL: País precisa unir ambição à habilidade diplomática em acordo de Paris

OC, que representa quase 40 entidades da sociedade civil, entregou ao Itamaraty uma lista de recomendações de como o Brasil poderá se posicionar

Redução de emissão

Os negociadores brasileiros que trabalham na construção do texto do acordo de Paris precisam evitar que as boas propostas apresentadas pelo Brasil à Convenção do Clima das Nações Unidas tornem-se armadilhas à negociação.

O Observatório do Clima identificou as principais contribuições feitas pelo Brasil ao rascunho do novo acordo do clima, que será editado a partir desta segunda-feira (01) numa reunião em Bonn, Alemanha. As propostas visam resolver impasses antigos, como o da diferenciação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e o tipo de compromisso que cada país deverá assumir no novo regime climático.

No entanto, há pontos frágeis nas contribuições brasileiras que precisam ser atacados urgentemente, sob risco de tornarem-se apenas formas diferentes de repetir as mesmas posições que travam a luta internacional contra a mudança climática há mais de duas décadas. O OC, representando quase 40 entidades da sociedade civil, entregou ao Itamaraty uma lista de recomendações de como o Brasil poderia se posicionar para evitar que isso aconteça em quatro pontos: diferenciação entre os países, ciclos de compromisso, mecanismo econômico e a agenda de corte de emissões até 2020.

“O Brasil é reconhecido no mundo inteiro como país de negociadores extremamente habilidosos e conta em geral com boa vontade. É preciso usar esse capital para produzir avanços reais no acordo”, afirma Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Segundo André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, “são claros os avanços que o Brasil conseguiu com a diminuição das emissões graças à queda do desmatamento, porém vivemos um momento em que o protagonismo dos países para uma economia de baixo carbono é cada vez essencial e urgente. O ano de 2015 tem deixado claro os efeitos das mudanças climáticas na vida das pessoas”.

De acordo com André Ferretti, gerente de estratégias da conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do OC, o mundo não tem mais tempo para um novo fracasso como o da COP15, em 2009. “Em Copenhague, finalizamos as discussões globais sobre clima sem metas concretas de redução de gases de efeito estufa. Agora, o estabelecimento de um acordo internacional relacionado à questão climática é uma necessidade urgente”, explica. “Obter novos resultados de significância mundial só será possível com a adoção de novas posturas por parte dos países, a partir movimentações políticas que representem o real desejo de mudança.”

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